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Liderança resiliente deve unir sensibilidade humana e racionalidade tecnológica 

Resiliência, em liderança, nunca foi apenas a capacidade de resistir. É a arte de ler o que ainda não está dito, de transformar instabilidade em direção. 

O ano de 2026 trará o tipo de complexidade que separa quem reage de quem reinventa: Reforma Tributária em fase decisiva, transição política e a ascensão definitiva da Inteligência Artificial como força transformadora de gestão. 

O cenário tributário será um teste de maturidade corporativa. Não se trata apenas de ajustar códigos fiscais, mas de redefinir a forma como as empresas pensam preço, margem, fluxo e competitividade. A convivência de regimes, a revisão de benefícios e as novas dinâmicas de arrecadação vão exigir mais do que planejamento pois vão exigir coerência estratégica. 

A liderança resiliente será aquela capaz de enxergar além das planilhas que entende que cada mudança de regra impacta diretamente o propósito, o caixa e a reputação da empresa, envolvendo as demais áreas necessárias no momento oportuno e agindo de forma estratégica. 

O ambiente eleitoral, por sua vez, adiciona camadas de incerteza e oportunidade. Mudanças de governo sempre redefinem políticas públicas, incentivos e agendas setoriais. Em um país com alta dependência de regulação, liderar é também decodificar sinais políticos e ajustar o rumo antes que o contexto o imponha. Mais do que nunca, o papel do líder será manter o foco enquanto o cenário se redesenha porque a volatilidade será a única constante. 

Mas 2026 seguirá marcando a consolidação de um outro tipo de transformação: a tecnológica. Segundo o relatório The State of AI 2025 da McKinsey, 88% das empresas já utilizam inteligência artificial em pelo menos uma área de negócio e as que mais crescem são justamente as que têm lideranças diretamente envolvidas na integração da IA à estratégia corporativa. 

A Bain & Company aponta que a IA deixou de ser ferramenta de suporte e se tornou “o disruptor definidor de nosso tempo”, enquanto a Harvard Business Review reforça que o desafio não é dominar a tecnologia, mas reprogramar a liderança para decidir com dados, ética e velocidade. 

A tecnologia e a IA estão redesenhando o papel do líder e não apenas pela automação, mas pela capacidade de prever, simular e aprender em ciclos curtos. A liderança resiliente entende que a tecnologia não substitui o ser humano, mas amplia sua capacidade de decisão. Ela sabe que inteligência artificial sem propósito é apenas cálculo e que propósito sem tecnologia é apenas intenção. 

Ao mesmo tempo, essa aceleração tecnológica impõe novas responsabilidades. O uso ético de algoritmos, a governança dos dados e a transparência das decisões automatizadas entram definitivamente na pauta do conselho e a verdadeira resiliência digital não é velocidade é consistência para garantir que cada inovação preserve confiança, reputação e valor de longo prazo. 

Nesse novo tempo, a liderança resiliente será a que conseguir unir sensibilidade humana e racionalidade tecnológica. Que compreende que a Reforma Tributária, e a necessidade de evolução tecnológica não são eventos isolados, mas faces de uma mesma mudança estrutural, uma mudança que exige líderes capazes de conectar o fiscal ao estratégico, o dado ao humano, o agora ao futuro. 

O Brasil de 2026 vai exigir mais do que sobrevivência. Vai exigir lideranças conscientes, que saibam equilibrar estabilidade e disrupção, previsibilidade e experimentação, lógica e propósito. 

Porque o que define o futuro não será a Reforma em si, nem o algoritmo mais poderoso, mas a capacidade de cada líder de enxergar o que permanece quando tudo muda. 

Artigo escrito por Thaís Borges, diretora comercial e Marketing na Systax e head adjunta de Empreendedorismo e Startups da ANEFAC 

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