O ano de 2026 se aproxima em um cenário global de incertezas geopolíticas, volatilidade econômica e uma aceleração tecnológica sem precedentes. No Brasil, o setor de transmissão de energia, espinha dorsal de nosso sistema elétrico, não está imune a essa complexidade. Liderar neste ambiente exige mais do que competência técnica; exige resiliência estratégica e uma visão aguçada para transformar desafios em oportunidades de crescimento e eficiência.
O setor de transmissão brasileiro vive um momento de forte expansão. Para se ter uma dimensão, o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) aponta para a necessidade de um investimento robusto em infraestrutura, impulsionado pela crescente demanda e pela integração massiva de fontes renováveis. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que o segmento demandará centenas de bilhões de reais em investimentos na próxima década para atender ao crescimento da carga e à conexão de novos projetos de geração eólica e solar, majoritariamente localizados longe dos grandes centros de consumo. Mais importante ainda, o setor de transmissão tem papel fundamental em viabilizar a eletrificação da economia, pois a sociedade cada vez mais valoriza a descarbonização e a desfossilização como forma de ser sustentável e responsável.
Nesse cenário, a expansão das instalações existentes, a construção de novas linhas de transmissão e subestações, e a adição de novos equipamentos e tecnologias serão motores de crescimento. A TAESA, como player consolidado, tem participado ativamente, reforçando seu pipeline de projetos. O verdadeiro desafio é executar esses projetos no prazo e dentro do orçamento, mantendo a excelência operacional em um cenário de custos crescentes e gargalos logísticos, ter segurança nas atividades e promover impactos socioambientais positivos.
Resiliência operacional e foco na disponibilidade
Em 2026, a pressão regulatória e de mercado por disponibilidade das linhas será ainda maior. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) monitora rigorosamente o Desempenho Operacional (DO), que impacta diretamente a Receita Anual Permitida (RAP). A tecnologia é nossa aliada primária nesse cenário.
Investimentos em monitoramento preditivo utilizando Inteligência Artificial (IA) e sensores IoT (Internet das Coisas) são cruciais. A digitalização permite prever falhas antes que ocorram, maximizando o fator de disponibilidade. O uso de drones para inspeção e a implementação de gêmeos digitais (Digital Twins) elevam a eficiência da manutenção a patamares nunca vistos. A inovação é um imperativo, não um diferencial.
Resiliência financeira e gestão de riscos
Otimização do financiamento: garantir que as estruturas de capital dos projetos sejam robustas, com custo de capital competitivo, também é um diferencial importante.
Controle de Custos de O&M (Operação e Manutenção): a aplicação de analytics avançada na cadeia de suprimentos e na gestão de contratos de O&M é vital para proteger as margens, sobretudo de companhias como a TAESA, que possui 44 concessões de serviços públicos de transmissão de energia elétrica, em 18 estados e no Distrito Federal, nas 5 regiões do país.
Resiliência humana e cultura de segurança
Não existe infraestrutura resiliente sem equipe resiliente. A segurança, em um setor de alto risco como o nosso, deve ser o valor inegociável de cada executivo.
Desenvolvimento de talentos: o mercado precisa cada vez mais profissionais que entendam não apenas de eletricidade, mas de dados, machine learning e cibersegurança. A disputa por esse tipo de profissional está aquecida. O investimento em treinamento contínuo e a retenção de talentos tornam-se fatores críticos de sucesso.
Olhando para o futuro
O ano de 2026 será um período em que a maturidade da Geração Distribuída (GD) e a contínua expansão da Geração Centralizada Renovável (GCR) demandarão uma rede de transmissão mais inteligente, bidirecional e flexível.
A liderança resiliente deve se antecipar, olhando para:
– Subestações digitais: em que a automação e a comunicação em tempo real substituem gradualmente os equipamentos analógicos.
– ESG como negócio, e não como instrumento de marketing: investidores internacionais buscam cada vez mais ativos que comprovem compromisso com o meio ambiente e com a geração de impacto socioambiental positivo.
A TAESA está preparada. A estratégia da Companhia é clara: ser líder em eficiência e qualidade, continuar crescendo com disciplina financeira, inovar na gestão de ativos e investir em pessoas. A liderança do futuro será aquela capaz de manter o foco no longo prazo, executando com excelência no presente, e inspirando a equipe a abraçar a mudança como a única constante. É hora de unir esforços e construir o sistema elétrico de 2026 e das décadas seguintes.
Artigo escrito por Mauricio Dall’Agnese, que é Diretor de Negócios da TAESA
