A transparência corporativa deixou de ser vista apenas como uma obrigação regulatória e passou a ocupar posição estratégica na relação entre empresas, investidores, órgãos reguladores e demais públicos de interesse. Em um ambiente de negócios mais complexo e acompanhado por diferentes stakeholders, a qualidade e a confiabilidade das informações tornaram-se fatores essenciais para a construção de confiança.
Na avaliação de André José Vicente, contador da Unifique, esse compromisso sempre esteve presente na trajetória da companhia, mas ganhou novas dimensões à medida que a empresa ampliou suas operações e fortaleceu sua estrutura de governança. “A transparência sempre esteve presente na forma como a Unifique conduz seus negócios, mas esse compromisso foi se fortalecendo e se tornando mais estruturado à medida que a Companhia cresceu e aumentou a complexidade de suas operações”.
Um dos principais marcos desse processo ocorreu em 2021, com a abertura de capital e o ingresso da companhia no Novo Mercado da B3. Segundo o executivo, esse movimento ampliou as responsabilidades da empresa perante stakeholders e órgãos reguladores.
Desde então, a organização vem investindo no aprimoramento de sua governança corporativa, dos controles internos e dos processos de elaboração, revisão e divulgação das informações. Esse amadurecimento acompanha, para a Unifique, a própria evolução do negócio, marcada pela ampliação da atuação da companhia, pela diversificação de suas operações e pela manutenção do compromisso com informações consistentes, claras e confiáveis.
A qualidade das demonstrações financeiras, ressalta o contador, é resultado de um trabalho que envolve diferentes áreas da organização e múltiplas etapas de controle e validação. “A qualidade das informações financeiras é resultado de um processo que envolve diferentes áreas da companhia e diversos níveis de revisão e controle”.
A estrutura da Unifique inclui processos formais de fechamento contábil, controles internos, conciliações, validações e análises das informações. o trabalho envolve as áreas de contabilidade, informações gerenciais, relações com investidores, auditoria interna e demais áreas responsáveis pela geração dos dados. Esse processo é complementado pela atuação da auditoria independente, do Comitê de Auditoria e do Conselho de Administração, dentro de suas respectivas atribuições, fortalecendo a governança e a confiabilidade das informações divulgadas.
Mais do que cumprir exigências normativas, a companhia busca garantir que as informações sejam compreensíveis para os diferentes públicos que acompanham sua evolução. “Buscamos apresentar informações de forma transparente e clara, permitindo que investidores, acionistas e demais públicos compreendam adequadamente a situação financeira, o desempenho e a evolução dos negócios da Companhia”, afirma Vicente.
Segundo ele, esse trabalho está diretamente ligado aos valores corporativos. Responsabilidade, transparência, ética e compromisso com a qualidade orientam tanto a elaboração das demonstrações financeiras quanto a comunicação da companhia com o mercado.
Na visão de Vicente, a transparência corporativa continuará evoluindo nos próximos anos e passará a abranger um conjunto cada vez maior de informações. “A tendência é que a transparência corporativa se torne cada vez mais abrangente”.
O executivo destaca que investidores, reguladores e sociedade passaram a exigir uma visão mais completa sobre os negócios. “Investidores, sociedade e órgãos reguladores já não analisam apenas os resultados financeiros de uma companhia, mas também buscam compreender como esses resultados são gerados, quais riscos estão associados ao negócio, como a empresa se prepara para o futuro e quais fatores podem afetar sua capacidade de geração de valor no longo prazo.”
Nesse cenário, as demonstrações financeiras tendem a estar cada vez mais conectadas às informações operacionais, de riscos, governança e sustentabilidade. Vicente chama atenção ainda para a evolução das normas de divulgação e reporte. “Novas normas contábeis e de divulgação, como o IFRS 18, também devem aumentar a comparabilidade e exigir maior nível de detalhamento sobre determinados aspectos do desempenho das companhias”.
Para a Unifique, essa evolução reforça a importância de continuar investindo em processos, controles, sistemas e integração entre as áreas, garantindo que o aumento do volume e da complexidade das informações seja acompanhado pela mesma qualidade e confiabilidade na divulgação.
Transparência fortalece a confiança dos diferentes públicos
A relação entre transparência e confiança aparece como um dos principais pontos destacados pelo executivo. “A transparência é um dos principais elementos para a construção de confiança.”
De acordo com Vicente, informações claras e consistentes permitem que investidores compreendam melhor a estratégia, os resultados, os riscos e as perspectivas da companhia. Ao mesmo tempo, clientes, parceiros, colaboradores e demais públicos conseguem avaliar de forma mais precisa a responsabilidade com que a empresa conduz suas atividades e toma suas decisões.
Em uma companhia aberta, explica o contador, esse desafio ganha importância adicional porque diferentes grupos acompanham a evolução do negócio sob perspectivas distintas.
Por essa razão, a empresa busca ir além do simples cumprimento das obrigações regulatórias. “Buscamos não apenas disponibilizar as informações exigidas pela regulamentação, mas comunicá-las de forma que sejam compreensíveis, coerentes e acessíveis”, diz Vicente.
Na avaliação dele, existe uma relação direta entre qualidade da informação e confiança. “Quanto maior a qualidade da informação, maior a capacidade dos diferentes públicos de compreender a companhia e estabelecer uma relação de confiança de longo prazo.”
A transformação digital tem exercido papel cada vez mais relevante na forma como as empresas produzem e comunicam informações. Vicente pondera que a tecnologia e a transformação digital vêm aumentando significativamente a capacidade das empresas de coletar, integrar, analisar e disponibilizar informações.
Na Unifique, esse movimento contribui para a evolução dos processos internos, para maior agilidade no tratamento dos dados e para o fortalecimento dos controles utilizados na elaboração das informações financeiras e gerenciais.
A inteligência artificial também amplia as possibilidades de análise e gestão das informações corporativas. “A inteligência artificial também abre novas possibilidades, especialmente na análise de grandes volumes de dados, identificação de inconsistências e apoio a atividades mais analíticas”, destaca Vicente.
Ao mesmo tempo, o executivo pondera que o uso dessas ferramentas deve estar associado a boas práticas de governança. “Sua utilização precisa estar acompanhada de governança, critérios de segurança e validação humana, principalmente quando envolve informações que serão utilizadas na tomada de decisões ou divulgadas externamente.”
No campo ESG, as mudanças regulatórias e as exigências do mercado também vêm ampliando o conjunto de informações monitoradas pelas empresas. Além dos indicadores financeiros tradicionais, a Unifique acredita que as companhias passam a desenvolver processos para identificar, mensurar e acompanhar questões ambientais, sociais e de governança, bem como seus potenciais impactos financeiros e operacionais.
Essa evolução vem aproximando diferentes dimensões do reporte corporativo. Como observa o executivo, “essa transformação tende a aproximar cada vez mais as informações financeiras e não financeiras, exigindo integração entre áreas, qualidade dos dados, controles e capacidade de apresentar ao mercado uma visão mais completa sobre a geração de valor e a sustentabilidade do negócio no longo prazo.”
A experiência da Unifique reflete uma tendência observada em diferentes setores da economia: a ampliação da transparência para além das demonstrações financeiras. Governança, riscos, tecnologia, sustentabilidade e estratégia passam a integrar uma visão mais ampla sobre a capacidade de geração de valor das organizações.