Há momentos na história em que as mudanças parecem acontecer em ciclos. E há momentos, como o que estamos vivendo agora, em que elas acontecem ao mesmo tempo.
Empresas, governos e a sociedade convivem com transformações tecnológicas sem precedentes, novas exigências regulatórias, uma reforma tributária que redesenha processos e modelos de negócio, além de um cenário geopolítico marcado por incertezas, disputas econômicas, tensões comerciais e novos rearranjos globais. Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos deixaram de ser projeções distantes para se tornarem parte da realidade cotidiana de organizações e cidadãos.
Diante desse contexto, uma pergunta se torna inevitável: como construir confiança em um mundo cada vez mais complexo?
Esta edição da Revista ANEFAC percorre exatamente essa reflexão. Falamos sobre inteligência artificial, governança, reforma tributária, transparência, sustentabilidade, qualidade da informação e os desafios da liderança em um ambiente de mudanças permanentes. Temas distintos à primeira vista, mas conectados por um mesmo fio condutor: a necessidade de tomar decisões melhores em um cenário de crescente incerteza.
Durante muitos anos, transparência foi associada principalmente ao ato de divulgar informações. Hoje, isso já não basta. Dados são abundantes. Informações circulam em tempo real. A tecnologia amplia a capacidade de produção e análise de conteúdo em uma escala inédita.
O desafio passa a ser outro.
O futuro da transparência não estará na quantidade de informações divulgadas, mas na capacidade de oferecer contexto, consistência e credibilidade. Não se trata apenas de mostrar números, mas de explicar escolhas. Não apenas de reportar resultados, mas de demonstrar como eles foram construídos. Em um ambiente saturado de dados, a verdadeira transparência será aquela capaz de transformar informação em compreensão e compreensão em confiança.
Essa percepção aparece nas entrevistas das empresas ganhadoras do Troféu Transparência e dos profissionais reconhecidos nesta edição. São organizações e lideranças que compreenderam que governança, tecnologia e sustentabilidade não são agendas independentes. São dimensões cada vez mais integradas da criação de valor.
Também celebramos a trajetória de Odivan Cargnin, da Irani, Jeane Tsutsui, do Grupo Fleury, e Ozires Kloster, da Sanepar, homenageados com o Prêmio ANEFAC Profissional do Ano. Suas histórias mostram que resultados consistentes raramente são fruto apenas de competência técnica. Eles nascem da capacidade de construir confiança, mobilizar pessoas e manter uma visão de longo prazo mesmo em cenários de incerteza.
Ao reconhecer os vencedores do Prêmio Mérito ANEFAC 2026, celebramos algo que muitas vezes passa despercebido em meio às discussões sobre tecnologia e transformação digital: o papel das pessoas. São profissionais e equipes que, com conhecimento, dedicação e visão de futuro, ajudam a elevar os padrões de excelência da gestão empresarial brasileira. Em um mundo cada vez mais orientado por dados e algoritmos, continuam sendo as pessoas que dão significado às decisões e transformam informação em valor.
Talvez essa seja a principal mensagem desta edição.
Antes de qualquer inteligência artificial, existe a inteligência das organizações. Antes dos algoritmos, existem valores. Antes dos relatórios, existem decisões. E, antes de qualquer tecnologia, existe um ativo que continua insubstituível: a confiança.
Em um mundo que muda rapidamente, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação corporativa. Ela se torna um compromisso com o futuro.
Boa leitura.
Roberto Fragoso, presidente da ANEFAC