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Liderança resiliente: um ativo estratégico para o mundo corporativo em 2026 

As mudanças esperadas para os próximos anos serão impulsionadas por três forças principais: tecnologia, sustentabilidade e pessoas. A expansão da inteligência artificial generativa, o avanço da automação e o uso cada vez mais intensivo de dados estão elevando a complexidade das decisões corporativas. Isso exige das lideranças não apenas domínio técnico, mas maturidade para tomar decisões com responsabilidade, senso crítico e alinhamento com o compliance digital. Em paralelo, a agenda de sustentabilidade deixa de ser uma escolha e passa a ser uma exigência estratégica, com impactos diretos na forma como empresas se posicionam, investem e constroem valor no longo prazo. 

Diante desse cenário, acredito que a resiliência se torna uma das competências mais relevantes para quem lidera. Não se trata apenas de suportar pressões ou atravessar momentos difíceis, mas de saber se adaptar, evoluir e tomar decisões conscientes em um ambiente de mudança permanente. 

No campo da tecnologia, por exemplo, percebo que o maior desafio não está somente em adotar novas ferramentas, mas em conduzir pessoas durante essas transformações. A inteligência artificial e a automação trazem eficiência, mas também geram insegurança, ruptura de processos e necessidade constante de reaprendizado. Para mim, um líder resiliente é aquele que não se paralisa diante do novo, mas cria um ambiente onde o erro é aprendizado e a inovação é parte da rotina. É quem entende que tecnologia sem pessoas preparadas não gera transformação — gera frustração. 

Na dimensão da sustentabilidade, também vejo um desafio profundo. Cresce a cobrança por transparência, ética e responsabilidade socioambiental, e muitas vezes essas novas exigências entram em conflito com objetivos de curto prazo. A liderança resiliente, nesse contexto, precisa sustentar decisões difíceis, mesmo quando não são as mais populares no curto prazo. É ter clareza de que o valor real de uma organização não está apenas no resultado imediato, mas na sua capacidade de permanecer relevante, ética e confiável ao longo do tempo. 

Quando falo de pessoas, acredito que este seja o maior e mais sensível desafio. A entrada da geração Z no mercado de trabalho tem transformado profundamente a dinâmica organizacional. São profissionais que valorizam propósito, autonomia, inclusão e diálogo. Eles não se conectam apenas a cargos ou estruturas, mas ao significado do que fazem. Na minha experiência, liderar essa geração exige mais escuta, mais flexibilidade e, principalmente, mais verdade. Não é sobre perder autoridade, mas sobre construir autoridade por meio da coerência, do exemplo e da confiança. E isso, para mim, é um exercício diário de resiliência. 

A liderança resiliente se manifesta nos detalhes: na forma como lidamos com pressão, como reagimos ao erro, como conduzimos conversas difíceis e como mantemos nossos valores em contextos adversos. Não é uma liderança de controle absoluto, mas de presença firme. Não é a liderança da resposta pronta, mas da pergunta bem-feita. 

Acredito que os desafios de 2026 exigirão líderes capazes de navegar entre a aceleração tecnológica, a urgência ambiental e a complexidade humana sem perder o eixo. Líderes que transformem informação em direção, pressão em aprendizado e mudança em evolução. Em um mundo cada vez mais automatizado, sigo acreditando que nossa maior vantagem competitiva continuará sendo humana. 

Artigo escrito por Thiago Paes, coordenador de relatórios e normativos contábeis na Eneva 

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