O que é liderar?
Para mim, o verdadeiro líder é aquele que obtém seguidores não porque tem o crachá de “chefe”, mas porque as pessoas resolvem fazê-lo. Porque têm um comportamento ético, se importam com as pessoas, e são exemplos de como as pessoas querem ser.
E o que é resiliência?
É a capacidade de cair e de se levantar prontamente. É não desanimar perante os desafios. A estrada é cheia de obstáculos, o trajeto em direção a seus objetivos não é linear. Mas como você se comporta perante todos estes percalços é que mostra o quanto você é resiliente perante as agruras da vida.
E quanto à junção dos 2 termos? O que seria uma liderança resiliente?
É aquela liderança que inspira as pessoas da maneira correta, independente do ambiente que os cerca. Independente daqueles que querem que você mude. Independente dos desafios à frente.
O líder resiliente é aquele que se apega a seu propósito, a seus valores, e utiliza isto como guia para seu comportamento. Que não se desvia deste balizador de caráter, que não se curva perante colegas (sejam pares ou superiores) que tentam te levar para o “mau” caminho. E quando este líder se torna um bastião de comportamento exemplar, aí sim ele angaria ainda mais seguidores… aí sim ele se torna um líder ainda mais amado.
No entanto, ser “amado” não significa ser “bonzinho”; significa ser coerente com sua fala (“faça o que eu faço!”), mas cobrar, exigir resultados e que os prazos sejam cumpridos. Mas faz isto de maneira educada, coerente, e tratando as pessoas com respeito.
Ser um líder resiliente te prepara para enfrentar tanto novos desafios quanto novas oportunidades.
E aí passamos para a 2ª parte deste artigo: o que esperar do ano de 2026?
Teremos novos desafios: é o início do período de transição da reforma tributária (sua empresa já está preparada?); é ano de eleições presidenciais (espere maior volatilidade no mercado); é ciclo pós-halving do bitcoin (atingirá um pico e depois começará um período longo de correção?); os juros continuarão altos por algum tempo (SELIC a 15%); e várias incertezas adicionais estarão presentes: como se comportará dólar (que atingiu, em nov/25, o menor patamar dos últimos 17 meses?); como se comportará o mercado de renda variável (a bolsa atingiu, também em nov/25, o maior patamar da história, tendo tido a maior séries de altas seguidas em +30 anos); dentre tantos outros desafios.
Porém, o que é desafio ou crise pode ser também uma oportunidade. Dólar baixo? Bom para empresas importadoras; dólar alto? Bom para empresas exportadoras. O ponto é que ninguém tem bola de cristal, para saber o que vai acontecer.
Solução: o líder resiliente não se desespera com a incerteza. Ele monta planos de ação para diferentes cenários, planos de contingência para eventuais crises, e deixa a equipe em alerta, mas, ao mesmo tempo, confiante.
Liderança resiliente envolve tanto observar o mercado e se preparar para diferentes cenários quanto preparar suas equipes para prosperar mesmo que seja num momento de caos.
Aqui vai uma lista – não exaustiva – de como se preparar para o ano vindouro:
- Finalize seu orçamento anual considerando as premissas base:
- Infelizmente, ainda tem muita empresa que monta o orçamento apenas elaborando uma DRE. Não cometa este erro!
- É fundamental projetar também o Fluxo de Caixa, considerando a variação do capital de giro e eventuais investimentos.
- Simule diferentes cenários, estressando algumas variáveis, e respondendo a algumas perguntas, como, por exemplo:
- variação de +/- 10% da taxa de câmbio;
- redução de 5% no seu preço de venda (você sabe de onde podem surgir novos concorrentes?);
- faturamento 20% abaixo do projetado (o que isto fará com a margem necessária para diluir seus custos fixos?);
- sua receita está concentrada em algum cliente? O que acontece se ele quebrar e parar, subitamente, de comprar de você? Ou então não tiver como te pagar as compras dos últimos meses?
- impacto nas despesas financeiras se houver a manutenção da SELIC a 15% durante todo o ano de 2026 (improvável, mas não impossível);
- você é dependente de algum fornecedor? O que acontece se ele quebrar e parar de fornecer para você, sem aviso prévio? Com que rapidez você consegue um fornecedor alternativo?
- aumento de 10% nos custos fixos (esperamos uma inflação, medida pelo IPCA, próxima a 4,5% para este ano, mas, se o dólar voltar a subir, o IGP-M irá refletir esta desvalorização do Real; portanto, quais contratos de fornecimento você tem que são atrelados ao IPCA e quais são atrelados ao IGP-M? Ou melhor, você sabe como se comporta sua inflação interna?);
- aumento de 10% na inadimplência;
- pressão por maiores prazos por parte de seus clientes (por exemplo, se houver o aumento de 15 dias no seu Prazo Médio de Recebimento);
- pressão por menores prazos por parte de seus fornecedores (por exemplo, se houver uma redução de 15 dias no seu Prazo Médio de Pagamento);
- a melhor maneira de fazer isto seria utilizando um software de simulação de Monte Carlo, como o @Risk, da antiga Palisade (empresa adquirida pela Lumivero, em 2022), o qual permite que você consolide todos estes cenários numa curva de probabilidades;
- Opcionalmente, você pode medir o impacto de cada variável, de maneira independente, caso não tenha alguma ferramenta similar.
- Defina, a seguir, alguns KRI (Key Risk Indicators): indicadores que mostrem a tendência de alguns dos riscos acima de materializarem. Quanto mais cedo você se antecipar, maiores as chances de sucesso!
- Após analisar os dados, sua empresa pode enfrentar risco de falência em alguma das simulações? Caso afirmativo, elabore planos de ação (contingências) para cada cenário. Aqui, falamos do básico da gestão financeira, como, por exemplo:
- É possível reduzir o crescimento (faturamento) para não aumentar, desproporcionalmente, o capital de giro? Estude se pode ocorrer o chamado “Efeito Tesoura” do Modelo Fleuriet, e sua análise dinâmica do capital de giro.
- É possível reduzir custos? Cuidado para não cortar demais – ou no lugar errado, apenas para garantir o ano, mas assassinar a empresa no longo prazo.
- É possível reduzir a cobertura de estoques? O que é pior: faltar produto para vender, ou ter estoque sobrando?
- Consegue negociar maiores prazos e menores preços com seus fornecedores:
- Consegue renegociar os principais contratos de fornecimento de serviços?
- Tem serviço não essencial que pode ser cancelado?
- Consegue imputar no mercado (ou em alguns contratos de fornecimento específicos) menores prazos de recebimento ou maiores preços com seus clientes?
E você, se considera um líder resiliente?
Já se preparou para o ano de 2026?
Você – e sua equipe – estão confiantes para navegar em quaisquer dos diferentes cenários que vocês possam enfrentar no próximo ano?
Artigo escrito por Douglas Cardoso, diretor executivo ANEFAC Minas Gerais
