Previous
Next

Meeting Day da Transparência: oito anos impulsionando valor e boas práticas corporativas 

No dia 17 de dezembro, a ANEFAC realizou a 8ª edição do Meeting Day da Transparência. O evento, que nasceu há oito anos com uma ideia visionária de Bolí Rosales, COO da entidade, se consolidou como um marco no mercado corporativo brasileiro. A iniciativa surgiu da percepção de que a transparência não é apenas uma exigência regulatória, mas um pilar essencial para a sustentabilidade e geração de valor nas empresas. 

Segundo Wagner Petelin, diretor de Demonstrações Financeiras da ANEFAC, essa jornada se mostrou muito relevante: “Há oito anos, dávamos o pontapé inicial em uma iniciativa que se tornaria referência. Naquele primeiro encontro, tínhamos a certeza de que havia muito espaço para melhorias.” Na primeira edição, participaram empresas ganhadoras do Troféu Transparência ANEFAC, como AES Tietê, EDP, ISA CTEEP, JSL, Localiza e Petrobras. Além delas, grandes nomes do mercado contribuíram para o debate, entre eles Ronaldo Martins (CEO do Ronaldo Martins & Advogados), Silvio Takahashi (EY), Ulisses Magalhães (KPMG), Dario Lima (BDO) e os membros da ANEFAC, Marta Pelucio e Milton Toledo.  

Participando do encontro, Marco Bove, diretor de Contabilidade do Assaí Atacadista, destacou a importância da transparência como valor estratégico para a companhia. Ele revelou que conquistar o Troféu Transparência ANEFAC é um objetivo ambicioso para a empresa: “Nós almejamos ganhar o prêmio. O Troféu Transparência é um sonho de consumo e representa ser reconhecido pela transparência que transmitimos aos investidores.” A participação no evento é motivada pela troca de experiências com outras organizações que já são referência no mercado. “A troca de experiência é o que mais nos motivou a participar. Queremos aprender, evoluir e mostrar que a transparência é parte da nossa cultura.” 

Tema 2025: Transparência que impulsiona valor 

A edição deste ano trouxe uma agenda elaborada para discutir pontos cruciais, como: 

O papel e os desafios do Relatório de Administração; 

As versões digital e impressa das demonstrações financeiras; 

A crescente utilização da Inteligência Artificial nas notas explicativas; 

As inovações que estão transformando a auditoria; 

E os impactos das novas normas IFRS S1 e S2, que redefinem a forma de reportar sustentabilidade. 

Case de sucesso: Irani 

As empresas ganhadoras do Troféu Transparência 2025 apresentaram suas práticas mais inovadoras. A Irani, uma das maiores empresas do setor de papel e embalagens sustentáveis, comemora mais de 80 anos de história e se mantém como líder no mercado nacional. Nos últimos 12 meses, a companhia atingiu uma receita líquida de aproximadamente 1,7 bilhão de reais, consolidando sua posição estratégica no segmento. Segundo Evandro Zabott, gerente de contabilidade, a empresa investe fortemente na cultura de governança sólida, alinhando práticas de sustentabilidade com seus valores organizacionais. “Entre seus pilares está a reciclagem e a economia circular, conceitos que lhe renderam mais de 60 prêmios ambientais ao longo de sua trajetória. Essa responsabilidade ambiental é uma das marcas registradas da Irani, que busca ser referência em sustentabilidade e inovação.”  

No campo das práticas contábeis e normativas, ele explica que a Irani reforçou sua governança com controles internos aprimorados e um alinhamento rigoroso às novas normas internacionais IFRS, incluindo os projetos de implementação das normas S1 e S2, voltadas à divulgação de informações de sustentabilidade. “A transparência é um diferencial da companhia, que divulga suas demonstrações financeiras de forma antecipada ao mercado, com processos internos de revisão altamente rigorosos.” 

Porém, a trajetória da Irani também apresenta desafios. Zabott pontua pontos como a gestão dos ativos biológicos, a necessidade de adaptar suas práticas às normativas de sustentabilidade e o controle preciso de informações relacionadas às questões climáticas. “A companhia participa ativamente de fóruns técnicos e mantém uma parceria constante com auditorias externas, buscando sempre aprimorar suas práticas de divulgação e controle de informações.” 

Case de sucesso: Sanepar 

A Sanepar, maior empresa pública de saneamento do Brasil, se destaca por sua sólida reputação no setor e atuação em 345 municípios. Controlada pelo governo do Paraná, a companhia vem consolidando sua liderança através de uma governança centrada na credibilidade e na transparência. De acordo com Ozires Kloster, gerente contábil, seus relatórios de gestão são elaborados com base em rigorosas regulações regulatórias e de conformidade, buscando sempre clareza e relevância para seus stakeholders. 

A empresa enfrenta desafios relacionados às regras regulatórias específicas de órgãos como a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Agência Reguladora do Paraná (Agepar), principalmente na avaliação de ativos e contratos de concessão. Dentro de seu planejamento estratégico, ele explica que há um forte foco na universalização do saneamento até 2033, cumprindo metas de atendimento a municípios e aumento na cobertura de coleta e tratamento de esgoto, cuja cobertura já atingiu 82%.  

Para garantir eficiência e controle de suas operações, Kloster conta que a Sanepar investe em tecnologia, utilizando sistemas internos como o FESCK, uma plataforma de monitoramento do fechamento contábil que permite acompanhar em tempo real o andamento dos processos. “Além disso, promove workshops de alinhamento, formulações de políticas de compliance e atualização contínua de sua base de dados, buscando aprimorar sua governança e manter a conformidade regulatória.” 

A companhia também aposta na digitalização de seus relatórios, promovendo a publicação de informações de forma digital, o que aumenta a acessibilidade, facilita a consulta e reduz custos. Com uma gestão focada na inovação e na transparência, ele avalia que a Sanepar reforça seu compromisso com a excelência na prestação de serviços públicos de saneamento, alinhada às metas de sustentabilidade e inclusão social. 

Case de sucesso: Embraer 

A Embraer, fabricante líder mundial de aeronaves civis, comerciais e militares, destaca-se por sua longa trajetória de mais de 65 anos e por ter entregado mais de 9.000 aeronaves a clientes em mais de 100 países. Na avaliação de Marcos Paulo Rosa, gerente de contabilidade, com uma forte cultura de ética, integridade e inovação, a companhia mantém um compromisso firme com a sustentabilidade e a diversidade, pilares que permeiam suas estratégias de governança. 

Na visão dele, a empresa reforça sua responsabilidade social e ambiental através de políticas voltadas à transparência e à responsabilidade, atuando em mercados internacionais e adotando critérios ESG. “Como resultado, a Embraer conquistou índices relevantes, como a certificação CDP e o reconhecimento em diversos índices de responsabilidade socioambiental, consolidando sua posição como uma companhia de excelência global.” 

No âmbito das práticas financeiras e normativas, Rosa explica que a Embraer vem implementando relatórios de sustentabilidade e relato integrado, alinhando suas divulgações às melhores práticas internacionais. “Sua atuação em mercados globais exige uma constante adaptação às mudanças nas normas IFRS, sobretudo em relação às normas S1 e S2, que tratam da divulgação de informações relacionadas ao clima e à sustentabilidade.” 

Para garantir a precisão de suas demonstrações financeiras e a conformidade às novas normativas, Rosa pontua que a Embraer dispõe de processos de planejamento e controle de projetos internos bastante sofisticados. “A companhia utiliza sistemas de monitoramento de etapas e dashboards integrados, permitindo um acompanhamento em tempo real de suas operações e assegurando um alto padrão de governança e transparência, essenciais para sustentar sua posição de liderança no setor aeroespacial.” 

Transparência e governança são pilares para evolução das empresas  

No cenário corporativo contemporâneo, a transparência e a governança corporativa consolidam-se como fundamentos indispensáveis para construir confiança, valor de longo prazo e sustentabilidade nas organizações. Esses princípios não apenas garantem a credibilidade das informações financeiras e socioambientais divulgadas, mas também incentivam uma cultura de responsabilidade, ética e inovação que impulsiona o crescimento sustentável. Com a crescente demanda por maior accountability, empresas líderes no Brasil demonstram que a evolução contínua dessas práticas é uma estratégia vital para fortalecer sua reputação e competitividade no mercado global.  

Thiago Islanov, da FECAP, enfatiza que o processo de avaliação conta com uma equipe diversa de professores de diferentes regiões do Brasil, reforçando a importância do envolvimento acadêmico na análise das demonstrações financeiras. “A preparação dessas demonstrações deve estar fundamentada em boas práticas, indo além do simples cumprimento das normas, incluindo a análise do impacto de regulamentos recentes, como os IFRS S1 e S2. A transparência e a clareza nas informações divulgadas são essenciais para fortalecer a narrativa corporativa e garantir maior credibilidade perante investidores e stakeholders.”   

Já Adriano Rodrigues, da UFRJ, reforça o papel do trabalho de avaliação independente como elemento fundamental na construção de transparência. Para ele, as demonstrações financeiras precisam servir não apenas como um relato histórico, mas também como uma ferramenta que relacione as questões ESG às mudanças regulatórias, facilitando a tomada de decisão por investidores. “Esse esforço contínuo de aprimoramento exige compromisso, melhorias nos controles internos e um alinhamento entre os relatórios financeiros e de sustentabilidade, promovendo uma evolução constante na transparência corporativa.”   

Por sua vez, Marta Pelucio, da ANEFAC, afirma que a transparência não é uma prática de momento, mas uma rotina diária e constante. “As informações devem ser relevantes, claras e acessíveis, de modo a gerar valor efetivo para investidores e demais partes interessadas. A necessidade de alinhar os relatórios de gestão, financeiro e ambiental, além de investir em pessoas e tecnologia para garantir o progresso na cultura da transparência. O reconhecimento dessas boas práticas é fundamental para impulsionar a evolução do mercado e fortalecer a cultura de confiança e responsabilidade empresarial.” 

Confira o conteúdo inteiro:  

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *