Previous
Next

Reforma tributária: papéis, responsabilidades e desafios dos profissionais de contabilidade 

No âmbito da gestão das organizações, a profissão contábil é uma das mais dinâmicas. Apenas nas últimas cinco décadas, tivemos: 

Década de 1970: Lei das Sociedades por Ações. 

Década de 1980: advento da Correção Monetária Integral. 

Década de 1990: extinção da correção monetária de balanço. 

Primeira década do novo milênio: Normas Internacionais de Contabilidade e Regime Tributário de Transição. 

Segunda década do Século XXI: alinhamento da legislação de tributação do lucro às IFRS. 

Terceira década do Século XXI: Reforma Tributária. 

E tudo isso sem contar as normas contábeis específicas das atividades reguladas, como energia, telecomunicações, água e saneamento básico, aviação civil, seguros etc. 

A Fipecafi sempre foi protagonista em todos esses marcos, desenvolvendo projetos e promovendo capacitação de profissionais. 

É fato que, por um lado, todo esse universo normativo, legal, regulatório etc. vem demandando cada vez mais contadores competentes, capazes de acompanhar as mudanças e aplicá-las às empresas. E isso continuará, com mais força, como veremos a seguir. 

A Reforma Tributária trará consequências para todas as organizações. Para as empresas, a intensidade do choque – forte, fraco, moderado – vai depender do porte, regime de tributação (lucro real, presumido, simples etc.), modelo de negócio, posicionamento estratégico etc. 

Não é nova a questão de identificar corretamente quais recursos são essenciais para a produção dos bens ou prestação dos serviços. Nem sempre é fácil identificar a linha divisória entre os recursos utilizados no processo de produção de bens e prestação de serviços dos processos de administração e de comercialização. 

Porém, com a Reforma, essas questões ganham maior relevância, em função do novo sistema de débitos e créditos de IBS e CBS, quanto ao momento e aos requisitos para aproveitá-los e da situação tributária dos fornecedores e dos clientes. 

Entendemos que o advento da Reforma Tributária deve levar a administração das empresas a refletir sobre as seguintes questões: 

  1. Qual será o impacto do novo sistema de débitos e créditos (IBS e CBS) na cadeia de suprimento a montante (fornecedores) e a jusante (clientes) nos custos da empresa? 
  1. Qual será o efeito da nova estrutura de custos na margem de contribuição dos bens produzidos e dos serviços prestados? 
  1. Como ficará o novo sistema de formação de preços de venda considerando-se o novo valor dos custos, para preservar a margem de lucratividade e a taxa de rentabilidade? 
  1. No caso de empresas preponderantemente formadoras de preços, qual será o impacto na formação do Fator K? 
  1. Naquelas preponderantemente tomadoras de preços que ajustes de custos devem ser feitos para manter as atuais margens? 
  1. Diante da mudança nos custos, qual será a consequência nos preços de transferência internos, entre áreas ou unidades de negócio, para avaliação de desempenho? 
  1. Como ficarão os preços de transferência entre partes ligadas no exterior? 
  1. Dados os impactos nos custos, preços e margens, deverá a empresa analisar a viabilidade de passar a produzir partes, peças e componentes atualmente adquiridas? Ao contrário, seria o caso de passar a produzir bens do estágio seguinte da cadeia? 

Para responder essas e outras questões, serão necessários conhecimentos de profissionais de custos, contabilidade e finanças. 

A Reforma Tributária, por um lado, traz complexidades e inovação; por outro, oferece aos profissionais de contabilidade uma enorme oportunidade de agregar ainda mais valor para suas empresas e alavancar a carreira. Isso requer interpretação subjetiva e contextualização às realidades específicas, valorizando, ainda mais, o trabalho dos contadores. 

Visando ser protagonista também nesse processo de tão relevantes mudanças, a Fipecafi instituiu o Núcleo de Estudos e Pesquisas Avançadas em Tributação. 

O objetivo do NEPAT é apoiar profissionais dos setores público, privado e do terceiro setor no enfrentamento e superação dos desafios trazidos pela Reforma Tributária. Tal iniciativa alinha-se com a trajetória de 51 anos da Fipecafi como referência nacional nas áreas de contabilidade, controladoria, finanças, gestão tributária e atuária. 

Artigo escrito por Welington Rocha, presidente da Fipecafi e professor sênior da FEA-USP. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *