A transparência faz parte dos valores que orientam a Alupar e ganhou uma nova dimensão com a abertura de capital da companhia, em 2013. Segundo Luiz Coimbra, diretor de relações com investidores da empresa, o movimento ampliou a responsabilidade de comunicar resultados, decisões de investimento e perspectivas de negócio a um público mais amplo de investidores.
Ao longo dos anos, a expansão para outros países da América Latina trouxe novos desafios para esse processo. De acordo com o executivo, a atuação em diferentes ambientes regulatórios exige cuidado na apresentação das características de cada operação e de seus efeitos nos resultados consolidados.
Nesse contexto, as divulgações trimestrais e as teleconferências de resultados passaram a ocupar papel relevante na prestação de contas e no relacionamento com o mercado. “Buscamos aperfeiçoar esse trabalho para que quem acompanha a Alupar tenha condições de compreender nossos resultados e as decisões que orientam a companhia”, afirma ele.
Integração entre áreas fortalece a qualidade das informações
Coimbra destaca que a qualidade das informações divulgadas depende da atuação conjunta das áreas de contabilidade, relações com investidores e equipes responsáveis pelos dados operacionais.
Segundo ele, as informações utilizadas na preparação dos resultados passam por etapas de conferência e revisão, com atenção à consistência dos números e à clareza das explicações apresentadas ao mercado.
As demonstrações financeiras consolidadas seguem as normas internacionais de contabilidade e as práticas contábeis adotadas no Brasil. A companhia também apresenta informações em base regulatória para auxiliar a compreensão das características de seus negócios. “O cuidado é deixar claros os critérios utilizados e as diferenças entre essas visões”, explica Coimbra.
O executivo ressalta ainda a participação da auditoria independente e das instâncias de governança no processo, dentro de suas respectivas atribuições. “Nosso compromisso é apresentar os resultados com clareza e explicar suas variações, inclusive quando o desempenho é menos favorável. A confiança se constrói com essa consistência ao longo do tempo.”
Riscos e sustentabilidade ganham importância
Na visão de Coimbra, deve haver uma cobrança crescente por informações que permitam compreender melhor os riscos dos negócios e seus possíveis efeitos sobre os resultados e a capacidade de investimento das empresas no longo prazo.
Entre os temas citados pelo executivo estão questões ambientais, sociais e de governança relacionadas à atividade das companhias.
No setor elétrico, ele ressalta, o tema ganha relevância em razão das características dos ativos e dos horizontes de longo prazo envolvidos nos investimentos. “Condições climáticas, mudanças regulatórias e questões socioambientais precisam ser consideradas na avaliação dos projetos e na gestão das operações.”
Segundo o diretor, esses fatores também podem se refletir nas estimativas contábeis e nas informações apresentadas nas notas explicativas, quando forem considerados relevantes.
Por isso, ele defende que as empresas expliquem de forma clara as premissas utilizadas e mantenham coerência entre informações financeiras, operacionais e de sustentabilidade.
Transparência contribui para a confiança dos públicos de interesse
Para Coimbra, a transparência permite que diferentes públicos compreendam melhor as decisões da empresa e suas expectativas em relação ao negócio.
No caso de investidores e financiadores, informações claras e consistentes favorecem a avaliação da companhia e de seus riscos. “Para investidores e financiadores, informações claras e consistentes favorecem a avaliação do negócio e de seus riscos, o que pode contribuir para condições de financiamento mais competitivas”, diz ele.
O executivo observa que esse compromisso também orienta o relacionamento com clientes, inclusive no mercado livre de energia, em que a companhia atua por meio da Alup, e com as comunidades localizadas próximas aos empreendimentos da empresa. “Para quem vive nessas regiões, é importante entender o que será feito, quais impactos uma obra pode trazer e quais medidas estão previstas para tratá-los.”
Segundo Coimbra, o diálogo deve permitir que as pessoas façam perguntas e encontrem respostas claras. “A confiança se fortalece quando esse relacionamento é contínuo e existe coerência entre o que a empresa comunica e o que faz.”
Tecnologia apoia o acesso à informação
A transformação digital também influencia a forma como a Alupar organiza e disponibiliza informações para seus públicos.
Segundo Coimbra, a companhia está revisando a maneira de apresentar seus conteúdos nos canais digitais para facilitar o acesso e a compreensão das informações sobre o negócio. Esse trabalho, afirma, exige consistência com os dados divulgados oficialmente e atenção às necessidades de quem busca essas informações.
O executivo também destaca o potencial das ferramentas digitais para apoiar a organização e a análise de dados. “No caso da inteligência artificial, entendemos que o uso deve ser gradual e responsável, como apoio às equipes. A revisão das informações e a responsabilidade por sua divulgação precisam permanecer com os profissionais e as áreas responsáveis.”
Coimbra acrescenta que as informações ambientais, sociais e de governança ajudam a explicar como os resultados são construídos, trazendo contexto sobre a operação dos empreendimentos, a gestão de riscos e o relacionamento com as comunidades. “Nosso objetivo é tornar essa relação mais clara, para que quem acompanha a Alupar compreenda o desempenho financeiro e os fatores que influenciam sua continuidade”, conclui.