A transparência faz parte da essência da Sanasa, mas é tratada pela companhia como um compromisso em permanente construção. Para Manuelito Pereira Magalhães Júnior, diretor-presidente da empresa, o tema exige evolução constante das práticas de gestão e prestação de contas. “A transparência sempre fez parte da essência da Sanasa, mas entendemos que ela não representa uma condição definitiva ou um objetivo que, uma vez alcançado, possa ser considerado concluído.”
Controlada pelo Município de Campinas e responsável por um serviço público essencial, a companhia considera a transparência um dever institucional. Ao longo de sua trajetória, fortaleceu controles internos, auditorias e estruturas de governança para ampliar a qualidade das informações disponibilizadas aos diversos públicos.
Essa visão já estava presente quando a Sanasa se tornou companhia aberta registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em 1997. Desde então, a evolução da governança incluiu o aperfeiçoamento contínuo dos controles internos, o fortalecimento da auditoria interna, a realização de auditorias externas independentes e a ampliação das práticas de governança corporativa.
Novas dimensões foram incorporadas a esse processo. A companhia publicou seu primeiro Relatório de Sustentabilidade em 2012, passou a submetê-lo à asseguração externa independente em 2020 e formalizou, em 2022, o Grupo Gestor ASG. “Prestar contas com clareza não é apenas uma escolha estratégica ou uma questão de imagem, mas um dever perante nossos acionistas, órgãos de controle, reguladores e, sobretudo, a população”, explica Magalhães Júnior.
O percurso foi acompanhado por reconhecimentos como o tricampeonato no Prêmio ANEFAC Transparência das Demonstrações Financeiras e premiações recebidas no Prêmio Nacional da Qualidade em Saneamento (PNQS). Para a administração, porém, o principal indicador da maturidade alcançada continua sendo a confiança construída diariamente junto à sociedade.
A qualidade, a confiabilidade e a clareza das demonstrações financeiras são sustentadas por um conjunto integrado de práticas técnicas e de governança. A estrutura envolve a observância dos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), das normas internacionais de contabilidade e a atuação de profissionais permanentemente atualizados diante das mudanças contábeis, tributárias e regulatórias.
Esse trabalho é apoiado pelo aprimoramento contínuo dos controles internos, pela atuação da auditoria interna, por processos de revisão e conciliação das informações e pela auditoria externa independente registrada na CVM.
O Conselho de Administração também participa desse processo ao acompanhar resultados, riscos e temas relacionados à sustentabilidade e à gestão econômico-financeira.
A busca por transparência vai além da conformidade normativa. A companhia procura apresentar as informações de forma compreensível e consistente, permitindo que diferentes públicos avaliem adequadamente sua situação financeira, desempenho e perspectivas. Magalhães Júnior aponta que a transparência também significa comunicar os desafios enfrentados e as medidas adotadas pela administração.
Em 2025, diante de um cenário macroeconômico mais desafiador, a companhia instituiu um Programa de Redução de Custos para preservar o equilíbrio financeiro e assegurar o cumprimento dos compromissos assumidos. A divulgação dessas medidas é apontada como exemplo da coerência entre as informações apresentadas e as decisões efetivamente implementadas.
Na visão do diretor-presidente, a transparência corporativa caminha para uma integração cada vez maior entre informações financeiras, ambientais, sociais, climáticas e de governança. “Além de apresentar os resultados alcançados, será necessário demonstrar como os riscos e as oportunidades relacionados à sustentabilidade se conectam à estratégia e podem afetar o desempenho financeiro e a geração de valor no curto, médio e longo prazos.”
A avaliação da companhia é que o principal desafio está na integração dessas informações. As normas IFRS S1 e IFRS S2 exigem que riscos e oportunidades ligados à sustentabilidade sejam tratados com níveis de governança, controle e rigor comparáveis aos aplicados às informações financeiras.
No setor de saneamento, essa conexão ganha relevância adicional por envolver temas diretamente relacionados ao meio ambiente, à saúde pública, à qualidade de vida e ao desenvolvimento sustentável. A organização destaca que essas questões sempre fizeram parte de sua gestão e contribuem para uma compreensão mais ampla dos impactos do negócio.
Essa transformação também deverá se refletir nas demonstrações financeiras. À medida que riscos de sustentabilidade impactarem receitas, custos, investimentos, ativos, passivos, estimativas e projeções, seus efeitos precisarão ser avaliados e divulgados com clareza e consistência.
A preparação para esse novo ambiente inclui o acompanhamento de mudanças regulatórias e contábeis. Entre elas estão a IFRS 18, que trará alterações na apresentação das demonstrações financeiras, especialmente da Demonstração do Resultado, e a IFRS 20, aplicável a partir de 2029, que estabelecerá novo tratamento contábil para ativos e passivos regulatórios. Também integram esse cenário os novos manuais da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e os impactos da Reforma Tributária.
Confiança da população e relacionamento com reguladores
A transparência é vista como elemento central para a construção e preservação de relações de confiança. A companhia presta contas aos acionistas, órgãos de controle, reguladores e à população atendida pelos serviços de saneamento.
Em 2026, recebeu pelo terceiro ano consecutivo o Prêmio ANEFAC Transparência das Demonstrações Financeiras. Em 2025, também foi finalista do Prêmio Boas Práticas ESG da ANEFAC e conquistou, pelo terceiro ciclo consecutivo, a primeira colocação na metodologia ACERTAR entre 36 prestadores regulados pela ARES-PCJ.
Apesar dos reconhecimentos, a administração ressalta que a percepção da população é acompanhada diariamente por meio da ouvidoria, dos indicadores de satisfação dos usuários e de outros canais de relacionamento. “A confiança da população, entretanto, não se resume a prêmios e rankings”, ressalta Magalhães Júnior.
O saneamento exige planejamento de longo prazo, continuidade dos investimentos e capacidade de antecipação de riscos. Nesse contexto, a companhia considera essencial comunicar de maneira clara o que já foi realizado, os resultados obtidos e os desafios que ainda precisam ser enfrentados.
Essa necessidade torna-se ainda mais relevante diante das mudanças associadas à Reforma Tributária e à implantação da nota fiscal eletrônica de água, temas que exigirão comunicação clara e acessível sobre seus impactos para os consumidores.
Tecnologia, inteligência artificial e práticas ASG vêm transformando a gestão operacional e a forma como a Sanasa produz, protege, analisa e comunica informações. Um dos exemplos destacados é o uso de inteligência artificial no monitoramento da rede de abastecimento em parceria com a Amanco Wavin e a Microsoft. A solução utiliza sensores e análise de dados para identificar alterações de pressão e possíveis vazamentos, contribuindo para a redução das perdas de água e para a geração de dados mais precisos para a tomada de decisão.
A Sala de Situação integra informações estratégicas dos sistemas de água e esgotamento sanitário em tempo real, ampliando a capacidade de monitoramento e resposta. Já a área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e a Sala Cofre atuam para garantir segurança, disponibilidade e continuidade dos sistemas e das informações corporativas.
A inovação também está presente no uso de membranas ultrafiltrantes no tratamento de esgoto, tecnologia que permite produzir água de reúso de elevada qualidade e transformar Estações de Tratamento de Esgoto em Estações Produtoras de Água de Reúso.
Na agenda ASG, a companhia destaca avanços na incorporação dos indicadores SASB, na elaboração do Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa e na preparação para as normas internacionais de divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade.
No entendimento da administração, como finaliza Magalhães Júnior, trata-se de um processo contínuo de evolução e aprimoramento. “A tecnologia deve servir não apenas para aumentar a eficiência, mas também para produzir e proteger informações confiáveis, compreensíveis e úteis para a gestão, os órgãos reguladores e todos os públicos com os quais nos relacionamos.”