CTG Brasil: Transparência vai além dos números 

A transparência é um valor importante para a CTG Brasil, mas evoluiu em profundidade e abrangência ao longo dos anos. Segundo Antonio Entraut, gerente de contabilidade e tributos da companhia, um marco relevante dessa trajetória foi a consolidação da estrutura de governança exigida pelo mercado de capitais, especialmente por meio das empresas abertas do grupo, como a Rio Paranapanema Energia. 

De acordo com o executivo, a convivência com acionistas minoritários, investidores institucionais, reguladores e analistas elevou naturalmente o nível de exigência em relação à qualidade e à tempestividade das informações divulgadas. 

Outro passo importante foi a ampliação do conceito de transparência para além dos números financeiros. A CTG Brasil passou a reportar de forma estruturada aspectos relacionados à sustentabilidade, mudanças climáticas, biodiversidade, emissões de carbono, gestão de riscos e impacto social, alinhando-se a padrões internacionais como Global Reporting Initiative (GRI), Sustainability Accounting Standards Board (SASB) e Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol). 

“Hoje, a transparência é muito mais do que obrigações regulatórias. Ela é parte do modelo de gestão e da construção de confiança com investidores, comunidades, órgãos reguladores e sociedade”, afirma Entraut. 

A confiabilidade das informações divulgadas pela companhia é resultado de um conjunto de fatores. O primeiro deles, de acordo com a CTG, é uma estrutura robusta de governança corporativa, apoiada por controles internos, gestão de riscos, processos cada vez mais maduros, sistemas e pessoas altamente comprometidas com o resultado. 

O segundo fator é a validação independente. As demonstrações financeiras são auditadas pela Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes Ltda., proporcionando conforto adicional aos investidores sobre a qualidade das informações divulgadas. 

Há ainda um terceiro aspecto considerado relevante pela CTG: a experiência acumulada no relacionamento com o mercado de capitais, associada a uma Diretoria Executiva altamente capacitada e experiente. Na visão de Entraut, a divulgação recorrente de resultados, fatos relevantes, formulários regulatórios e relatórios destinados aos diversos stakeholders contribui para a formação de uma cultura organizacional voltada à transparência e à prestação de contas. 

Investidores buscam uma visão mais ampla dos negócios 

Para o gerente de Contabilidade e Tributos da CTG Brasil, a evolução das expectativas dos investidores também está transformando a forma como as empresas divulgam informações. “Historicamente, os investidores concentravam sua atenção principalmente em indicadores como receita líquida, EBITDA, lucro e caixa. Hoje, eles querem entender também a resiliência do negócio diante das mudanças climáticas, os impactos da transição energética, a estratégia de longo prazo e a geração de valor sustentável.” 

Nesse contexto, Entraut acredita que as demonstrações financeiras passarão a dialogar cada vez mais com os relatórios ESG. Temas como riscos climáticos, investimentos em ativos renováveis, custos de adaptação, gestão hídrica e emissões deverão aparecer de forma mais integrada à análise financeira. “Isso certamente ficou ainda mais fortalecido com o advento das normas IFRS S1 e IFRS S2.” 

Para empresas do setor elétrico, especialmente aquelas que possuem relacionamento permanente com investidores por meio de companhias abertas, como a Rio Paranapanema Energia, essa evolução já está em curso. A tendência, segundo ele, é que o mercado demande indicadores mais comparáveis, auditáveis e conectados à estratégia empresarial. 

Ao abordar a transparência relacionada à transição energética, ele aponta que o principal desafio é garantir que as informações sejam completas, objetivas e conectadas à geração de valor para o negócio. A companhia procura demonstrar não apenas os investimentos realizados, mas também o racional econômico e estratégico por trás deles. “O investidor quer entender quanto foi investido, qual o retorno esperado, quais riscos estão sendo mitigados e qual contribuição esses projetos trazem para a transição energética brasileira.” 

Para o executivo, a transparência acontece justamente quando a empresa consegue conectar os impactos ambientais e sociais aos resultados financeiros e operacionais, oferecendo uma visão integrada da criação de valor. 

Tecnologia, inteligência artificial e ESG 

Temas como tecnologia, transformação digital, inteligência artificial e ESG estão transformando não apenas a operação das empresas, mas também a forma como elas produzem e divulgam informações. 

Entraut destaca que os relatórios recentes da companhia mostram iniciativas envolvendo inteligência artificial, armazenamento de energia, blockchain, hidrogênio verde e digitalização de processos. “Isso amplia a capacidade de coleta, processamento e análise de dados, tornando as informações mais precisas e tempestivas.” 

Ao mesmo tempo, o executivo acredita que o ESG deixou de ser uma agenda paralela no mercado de capitais e passou a fazer parte da tomada de decisão corporativa. Hoje, investidores querem compreender como aspectos ambientais, sociais e de governança afetam os resultados futuros de uma companhia. “Acredito que a inteligência artificial terá um papel especialmente relevante nos próximos anos, tanto no monitoramento operacional dos ativos quanto na geração de informações para investidores e reguladores. Isso deverá elevar ainda mais os padrões de transparência, rastreabilidade e qualidade dos dados divulgados.” 

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