A transparência faz parte da forma como a EDP se relaciona com seus públicos e presta contas à sociedade. Para Leandro Carron Rigamontte, diretor de contabilidade da EDP América do Sul, a conquista, pela 11ª vez, do Troféu Transparência reconhece uma trajetória de evolução contínua, construída com o compromisso de tornar as informações cada vez mais claras, relevantes e acessíveis.
Segundo o executivo, esse reconhecimento ganha ainda mais significado em um ano simbólico para a companhia, que celebra 50 anos de história no mundo, 30 anos de presença no Brasil e 10 anos de atuação no segmento de transmissão.
Um marco importante dessa evolução foi a revisão das notas explicativas iniciada após a Oferta Pública para Aquisição de Ações (OPA), em 2023. O processo teve como objetivo simplificar a apresentação das informações sem renunciar ao conteúdo relevante. “A partir desse trabalho, passamos a olhar não apenas para o que precisava ser divulgado, mas para o que efetivamente ajudava o leitor a compreender o desempenho, a posição patrimonial e os riscos da companhia”, afirma Rigamontte.
Segundo ele, transparência vai além do cumprimento de uma obrigação e representa um compromisso permanente com quem utiliza as informações da empresa para entendê-la e tomar decisões.
A EDP atua em todos os segmentos do setor elétrico brasileiro, da geração à transmissão e à distribuição. A companhia leva energia a 70 municípios no Espírito Santo e 28 em São Paulo. Na percepção de Rigamontte, a qualidade das demonstrações financeiras começa muito antes da sua redação. Ela nasce de processos consistentes, controles robustos e da integração entre áreas financeiras, negócios, especialistas técnicos, regulação, governança e auditoria.
O executivo destaca que esse processo também exige capacidade de julgamento para identificar o que é relevante, explicar as premissas adotadas e traduzir transações complexas em informações claras e úteis. Na revisão das notas explicativas realizada após a OPA, a companhia buscou justamente esse equilíbrio. “Eliminamos repetições e descrições genéricas, preservando o contexto necessário para que os números sejam compreendidos.”
Na companhia, há um princípio simples que orienta todo esse trabalho: “Transparência significa comunicar com clareza, inclusive quando os temas envolvem incertezas, estimativas ou decisões contábeis complexas”, avalia Rigamontte.
Ao olhar para os próximos anos, o diretor acredita que a expectativa da sociedade, dos investidores e dos órgãos reguladores será cada vez maior por informações conectadas. “O leitor vai querer entender como a estratégia, os investimentos, os riscos e as decisões operacionais se relacionam com os ativos, os passivos, os resultados e os fluxos de caixa da companhia.”
Nas demonstrações financeiras, ele alerta, isso exige atenção especial às premissas e aos julgamentos relevantes, como projeções utilizadas em avaliações, vida útil de ativos, recuperabilidade, inadimplência e efeitos dos contratos e das concessões. Para o executivo, o desafio não será publicar mais páginas, mas oferecer informações materiais, comparáveis e capazes de explicar os efeitos financeiros dos temas que realmente importam.
Transição energética e demonstrações financeiras
Na avaliação de Rigamontte, a transparência na divulgação de informações relacionadas à transição energética, aos investimentos e à sustentabilidade começa por conectar a estratégia aos seus efeitos concretos nos negócios e nas demonstrações financeiras.
O executivo observa que o setor elétrico passa por uma transformação profunda. Temas como transição energética, expansão das fontes renováveis, abertura do mercado e novos modelos de negócio envolvem oportunidades, investimentos e riscos de diferentes naturezas. Por isso, a EDP busca apresentar cada informação de acordo com sua relevância, seu estágio de desenvolvimento e as normas contábeis aplicáveis, oferecendo ao leitor uma visão clara sobre como essas decisões se refletem nos resultados e no futuro da companhia.
Esse compromisso ganha ainda mais significado em 2026, ano em que a empresa celebra 50 anos de história no mundo, 30 anos de presença no Brasil e 10 anos de atuação em transmissão.
Com um portfólio diversificado que reúne geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia, além de ativos eólicos e solares, a companhia está diretamente inserida nessa transformação. “Nosso objetivo é que as demonstrações financeiras não sejam apenas um retrato dos números, mas também uma fonte de informação que ajude a compreender as decisões que estão por trás deles, as premissas que as sustentam e os riscos e oportunidades que podem influenciar os resultados”, avalia Rigamontte.
Segundo o executivo, é essa conexão entre informação, estratégia e visão de longo prazo que torna a comunicação financeira mais clara, consistente e transparente.
A transformação digital também tem influenciado a forma como a empresa produz e comunica suas informações ao mercado e à sociedade. De acordo com Rigamontte, a tecnologia amplia a capacidade de reunir, conferir e analisar dados, contribuindo para dar mais consistência e agilidade à produção das informações.
Para a área de Contabilidade, porém, a tecnologia só gera valor quando vem acompanhada de controles, rastreabilidade e revisão crítica da equipe. Essa avaliação também se aplica à inteligência artificial. Segundo o executivo, ela pode apoiar análises e a estruturação de informações, mas a responsabilidade pelos julgamentos contábeis e pelo conteúdo divulgado continua sendo das pessoas e da governança da companhia.
A agenda ESG, por sua vez, exige maior integração entre as áreas responsáveis por dados operacionais, financeiros e de sustentabilidade. Na EDP, assim, as premissas utilizadas e as informações apresentadas nos diferentes relatórios precisam ser coerentes entre si e refletir a realidade das operações da companhia.
Ao finalizar, Rigamontte cita que, essa integração permite comunicar com mais clareza como riscos, investimentos e decisões estratégicas podem afetar os resultados da empresa ao longo do tempo.