Oceânica: Transparência deve acompanhar crescimento e evolução da empresa

A transparência sempre foi um princípio importante para a Oceânica, mas sua relevância e o nível de estruturação dos processos de divulgação evoluíram significativamente ao longo dos anos, acompanhando o crescimento e a maior complexidade da companhia. 

Segundo James Thurston Lynch Junior, diretor financeiro e de relações com investidores, um dos principais marcos desse processo foi o deferimento, pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em 2022, do registro da Oceânica como companhia aberta categoria A. A partir desse momento, a empresa passou a adotar uma estrutura de divulgação de informações mais abrangente e sistematizada, ampliando o nível de transparência e a disciplina dos processos de reporte ao mercado. 

Desde então, a companhia afirma ter evoluído continuamente seus processos de fechamento e reporte financeiro, seus controles internos e a forma de apresentação das informações, sempre buscando consistência, clareza e comparabilidade dos dados divulgados. 

A evolução da estrutura de financiamento e o relacionamento com investidores e credores também contribuíram para essa trajetória, ampliando a necessidade de informações financeiras cada vez mais completas e transparentes. 

Hoje, de acordo o executivo, a transparência é vista não apenas como uma obrigação regulatória, mas como um princípio fundamental para a construção de relações de confiança de longo prazo com os stakeholders da companhia. 

Processos estruturados e qualidade da informação 

A qualidade das informações divulgadas, na Oceânica, começa dentro da própria companhia, por meio de processos estruturados de fechamento e consolidação das informações financeiras, com responsabilidades claramente definidas entre as diferentes áreas envolvidas. 

As demonstrações financeiras passam por processos de revisão interna e auditoria independente, além de serem preparadas de acordo com as normas contábeis aplicáveis. 

A empresa também busca assegurar consistência entre as demonstrações financeiras e os demais materiais divulgados, de forma que as informações apresentadas em diferentes documentos sejam coerentes e permitam uma compreensão adequada do desempenho e da posição financeira da companhia. 

Outro aspecto considerado fundamental é a clareza das informações. Em uma companhia com operações, contratos e estruturas financeiras complexas, a Oceânica entende que transparência não significa apenas divulgar uma grande quantidade de informações, mas apresentá-las de forma organizada, contextualizada e compreensível para diferentes públicos. 

Por isso, a empresa procura explicar não apenas os números, mas também os principais fatores que os determinam, permitindo que investidores, credores e demais stakeholders tenham uma visão adequada do negócio. 

Integração entre informações financeiras e não financeiras 

Para a companhia, a transparência corporativa continuará evoluindo de uma abordagem predominantemente focada em informações financeiras para uma visão cada vez mais integrada dos diferentes aspectos que impactam a geração de valor e os riscos das empresas. 

Ao complementar, Lynch Junior avalia que, investidores, reguladores e demais stakeholders deverão demandar informações cada vez mais consistentes, comparáveis e tempestivas, incluindo não apenas resultados financeiros, mas também informações relacionadas à sustentabilidade, riscos, governança e aspectos operacionais relevantes. 

Nesse contexto, a tendência é de uma integração crescente entre informações financeiras e não financeiras. Para a Oceânica, isso significa que determinados temas que hoje são apresentados de forma complementar deverão ganhar cada vez mais relevância na compreensão dos resultados e das perspectivas da companhia. 

“O principal desafio será acompanhar essa evolução mantendo o equilíbrio entre profundidade e clareza, oferecendo informações suficientes para permitir uma avaliação adequada da companhia sem perder a objetividade e a qualidade da comunicação”, diz Lynch Junior. 

A complexidade das operações é um dos fatores que tornam a qualidade da comunicação especialmente relevante para a Oceânica. A companhia atua em projetos complexos de engenharia submarina, principalmente para a indústria offshore de óleo e gás no Brasil. Além disso, realizou nos últimos anos captações por meio de debêntures no mercado local e de senior secured notes no exterior para financiar seu crescimento. 

Nesse contexto, a empresa afirma buscar apresentar as informações de forma estruturada e contextualizada, explicando os principais elementos das operações e seus impactos financeiros e operacionais. 

Na percepção de Lynch Junior, essa comunicação abrange tanto os aspectos relacionados à operação dos contratos, como mobilização de embarcações, investimentos e backlog, quanto os termos e condições das operações financeiras. “Transparência significa apresentar de forma clara não apenas os números, mas também a estrutura das operações, seus objetivos, principais características e respectivos impactos para a companhia”. 

A empresa considera igualmente importante comunicar de forma clara os desafios, riscos e eventuais incertezas associados às operações, e não apenas seus resultados. Dessa forma, busca oferecer aos diferentes stakeholders uma visão completa e adequada da realidade do negócio, contribuindo para relações de confiança de longo prazo. 

A tecnologia tem contribuído diretamente para aprimorar os processos de produção e divulgação de informações da companhia. Recentemente, a Oceânica implantou uma plataforma de integração de dados contábeis e financeiros que automatiza rotinas e otimiza a elaboração das demonstrações financeiras. “A iniciativa aumentou a eficiência e a qualidade do processo, além de melhorar a interação com os auditores independentes”, avalia o executivo. 

A inteligência artificial também passou a ser uma ferramenta útil na otimização do trabalho, especialmente em atividades de análise, organização e tratamento de informações. Ao mesmo tempo, a companhia ressalta que sua utilização deve ser acompanhada de critérios adequados de governança, validação e revisão, especialmente quando aplicada a informações financeiras ou utilizadas em comunicações externas. 

Em sustentabilidade, a Oceânica publicou neste ano seu quarto Relatório de Sustentabilidade, elaborado com base nas diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI). “A evolução dessa agenda tem ampliado o conjunto de informações que a companhia disponibiliza ao mercado e à sociedade, incorporando de forma cada vez mais estruturada os aspectos ambientais, sociais e de governança à sua comunicação”, finaliza Lynch Junior. 

James Thurston Lynch Junior, diretor financeiro e de relações com investidores da Ocêanica

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