No dia 13 de novembro, a ANEFAC realizou a sua 1ª Conferência Anual, na KPMG, em São Paulo. O evento reuniu importantes líderes e executivos do Brasil para discutir tendências e perspectivas que visam promover um futuro mais sustentável para as empresas. Com um dia repleto de conteúdo excepcional, oportunidades de networking e uma experiência enriquecedora, o evento se consolidou como um marco na agenda de negócios do ano.
A abertura da conferência foi conduzida por Bolí Rosales, COO da entidade, e Raphael Eduardo Pereira da Silva, diretor na KPMG, que destacaram a relevância do encontro e seu papel fundamental na promoção de discussões sobre as demandas atuais e futuras do ecossistema corporativo. “Este evento é essencial para refletirmos sobre os desafios e as oportunidades que as empresas enfrentam em um contexto de transformação e sustentabilidade no próximo ano.”
Os participantes tiveram a oportunidade de ouvir especialistas em diversas áreas, que compartilharam práticas sustentáveis e de inovações que podem impulsionar a competitividade empresarial no Brasil e no exterior. A conferência também proporcionou um ambiente propício para o networking, permitindo que os executivos trocassem ideias e experiências.
Economia mundial e brasileira: cenários e perspectivas
Em um cenário global em constante mudança, a economia brasileira enfrenta desafios significativos, que vão além das limitações governamentais, abrangendo um complexo sistema legislativo que impõe barreiras a um crescimento mais robusto. Andrew Storfer, sócio da Interacta Participações e conselheiro da ANEFAC, destaca que o Brasil perdeu parte de sua atratividade nos mercados internacionais, com países priorizando a formação de reservas em meio a um panorama econômico turbulento marcado por altas taxas de juros, inflação e instabilidade.
“As incertezas dificultam o planejamento a longo prazo para as empresas”, afirma Storfer, ressaltando que a economia depende da perspectiva e do foco que se adota nas análises. Em contraposição, Tatiana Pinheiro, head de economia da Galapagos Capital, aponta que o crescimento da China se torna cada vez mais relevante, especialmente para o Brasil, que vê o país asiático emergir como o principal destino de suas exportações. “Ainda que as exportações brasileiras sejam pulverizadas, a China tem ganhado destaque nos últimos anos, o que é um fator importante a se considerar”, comenta.
Pinheiro também observa que a recente elevação de tarifas nos Estados Unidos pode ter implicações para a economia brasileira, já que a relação entre EUA e China se desvincula cada vez mais, criando um ambiente de incerteza para o Brasil. “O país continua lidando com diversos fatores que afetam sua economia, como a inflação e o teto de gastos, mas mantenho otimismo. O Brasil pode ser comparado a uma tartaruga: apesar da lentidão, segue avançando e o próximo ano pode ser mais positivo”, conclui.
Juliana Inhasz, head de economia da ANEFAC, pondera que 2026 representa um momento crucial para a reflexão sobre o futuro econômico, dada a combinação de cenários internos e externos que influenciam a trajetória do Brasil. “É imprescindível que olhemos para o que está ocorrendo ao nosso redor e como isso impacta nosso próprio desenvolvimento”, finaliza.
ESG e sustentabilidade empresarial: governança corporativa no século XXI
No cenário atual das empresas brasileiras, a integração dos princípios de ESG (Environmental, Social and Governance) à governança corporativa tem se mostrado não apenas uma necessidade, mas uma oportunidade estratégica. Ana Paula Pinho Candeloro, head de ESG da ANEFAC, destaca que “ESG não é sobre abraçar árvores, mas sim uma abordagem fundamentada em dados econômicos e financeiros que afetam diretamente a performance e a satisfação dos stakeholders.” A busca por práticas sustentáveis se reflete não só na imagem corporativa, mas também na gestão e nos resultados financeiros das empresas.
Odivan Cargnin, CFO e IRO da Irani, complementa essa visão ao afirmar que o entendimento do valor que os aspectos ESG podem trazer aos negócios é crucial. “Independente do termo utilizado, é essencial que as empresas compreendam o que a sustentabilidade representa para elas.” Para ele, incorporar essa estratégia é fundamental para atrair novos investimentos e criar um ciclo virtuoso onde o retorno financeiro e os benefícios sociais e ambientais se entrelaçam. “Os executivos enfrentam o desafio de encontrar projetos que não apenas gerem retorno, mas que também impactem positivamente a sociedade e o meio ambiente”, avalia.
Oscar Malvessi, consultor e professor de finanças da FGV, reforça que a remuneração dos executivos deve estar alinhada à criação de valor sustentável. Ele argumenta que a verdadeira sustentabilidade e o incremento de valor para os acionistas só se concretizam quando os aspectos ESG são integrados à análise financeira. “O foco deve ser a criação de valor a longo prazo, em detrimento de métricas superficiais ou de curto prazo, como o EBITDA. Esta abordagem não apenas assegura a saúde econômica das organizações, mas também evita a destruição de valor que pode ocorrer quando o ESG é tratado como uma mera formalidade, além disso, é preciso incluir um E de econômico junto a sigla”, pondera.
Segundo os especialistas, as organizações precisam adotar uma gestão que compreenda a lógica da criação de valor, para garantir sua sustentabilidade econômica e perpétua.
Investindo em inteligência: humana, artificial e estratégica
A transformação digital deixou de ser tendência para se tornar realidade. Em um cenário global onde faltam pessoas para atividades repetitivas, máquinas e sistemas inteligentes assumem cada vez mais espaço. Modelos avançados de inteligência artificial (IA) já realizam tarefas antes executadas por humanos, e isso traz um alerta: o risco de não inovar é maior do que o risco de inovar.
Gil Giardelli, Chief Roboticist e Research na 5ERA, destaca que a indústria vive um momento pós-inovação. “Se não investir em inovação, haverá redução no PIB. É hora de dar um choque nesse pós-inovação”, afirma. Para ele, eficiência produtiva não é apenas automatizar processos, mas repensar modelos de negócio e trabalho, especialmente os mais frágeis. “Novos empregos surgem, mas não houve tempo para preparar as pessoas. O problema da tecnologia que temos hoje são as pessoas”, completa.
Graziele Rossato, head de tecnologia da ANEFAC, reforça que falar sobre inteligência humana, artificial e estratégica, é complexo. “Inclusive, todos os projetos que estamos pensando em termos de IA precisam considerar a questão humana. Se vai falar sobre tecnologia, é preciso falar de pessoas. Inovar tem riscos, alguns são de produtividade, mas vemos ao mesmo tempo empresas que não querem investir em inovação porque não está gerando resultado. Porém, existe o risco de não inovar. O desconhecimento da tecnologia é um desafio, e o esforço das empresas tem sido engajar as pessoas nos projetos”, explica.
Alexandre Del Rey, CEO e cofundador da I2AI, alerta para a crise de governança. “Não podemos olhar para a tecnologia com distância. É preciso definir o que é valor para o negócio e fazer boas escolhas. A governança nasce na educação e deve orientar como aplicamos tecnologia para gerar impacto positivo”, diz. Para ele, falta reflexão estratégica: “As empresas tomam microdecisões sem entender como algoritmos e dados influenciam seus rumos”.
Já Márcio Teshima, executivo do setor, lembra que a IA não é novidade. “Ela já está presente em processos como o eSocial. O desafio é aplicar no dia a dia para melhorar índices e produtividade, liberando mão de obra para atividades mais estratégicas”, afirma. Ele compara a onda atual à de conceitos como ESG: “São palavras de ordem que vão e vêm, mas precisamos estar preparados para elas”.
Diversidade, equidade e inclusão como vantagem competitiva
A pauta da diversidade, equidade e inclusão (DE&I) deixou de ser apenas um tema social para se consolidar como um diferencial competitivo e estratégico para as empresas. Em um cenário corporativo cada vez mais dinâmico, organizações que incorporam esses princípios não apenas fortalecem sua reputação, mas também ampliam sua capacidade de inovação e sustentabilidade.
Jean Tsutsui, CEO do Grupo Fleury, destaca que a jornada da companhia é contínua e desafiadora. “No Grupo Fleury, temos uma trajetória relacionada a aspectos diversos, inclusive diversidade, equidade e inclusão. É uma jornada, temos muito a aprender. Trabalhamos esses temas como fator competitivo, pois somos uma empresa de serviços. Com as aquisições realizadas, a diversidade geográfica nos traz o desafio de atender um público diverso. Atender faz parte da nossa cultura e é um diferencial estratégico do negócio”, afirma.
Segundo Tsutsui, promover diversidade dentro da organização não é apenas um valor, mas uma prática que gera resultados concretos. “Isso se comprova na prática: não só melhoramos o atendimento, mas também ampliamos nossa capacidade de inovação ao considerar toda essa diversidade. Nossos números são relevantes, mas ainda temos pontos a evoluir. Olhamos para todos os grupos, discutimos temas e, ao longo do tempo, incorporamos em nossas políticas, ações e metas”, explica. Ela reforça que, com 77 milhões de atendimentos por ano, é essencial que as equipes estejam preparadas para lidar com diferentes aspectos da diversidade. “Racismo é crime, por exemplo. Como trabalhar isso com empresas que estão na linha de frente? Elas precisam entender. Atuamos com saúde, que envolve aspectos biológicos e sociais. Se tivermos diversidade como parte da cultura, temos vantagens competitivas”, conclui.
Margareth Goldenberg, CEO da Goldenberg Diversidade, complementa com uma visão ampla sobre o tema. “Diversidade, equidade e inclusão fazem parte do guarda-chuva dos direitos humanos. Antes de pensar no diferencial econômico, é preciso entender o imperativo moral: garantir oportunidades iguais para profissionais qualificados, independentemente de gênero, orientação sexual ou qualquer outra característica. Se começássemos assim, ninguém seria discriminado”, afirma.
Goldenberg lembra que o Brasil possui um arcabouço legal robusto contra discriminação, injúria, assédio e desigualdade salarial. “Mesmo que a empresa não ache correto, ela precisa cumprir, porque senão terá fragilidade de marca. É um imperativo legal e moral. Além disso, inúmeras pesquisas comprovam que empresas com equilíbrio nos cargos executivos, incluindo mulheres e pessoas com deficiência, têm resultados superiores, especialmente em reputação”, explica. Para ela, inovação depende de diversidade: “Não podemos inovar sem os melhores olhares. Precisamos de experiências diversas. É uma necessidade de negócio. Para serem sustentáveis, as empresas precisam seguir esse caminho”, conclui.
Reforma tributária: ambiente regulatório e impactos nas empresas
A tão aguardada reforma tributária começa a se tornar realidade no Brasil, trazendo consigo promessas de simplificação, transparência e redução da litigiosidade. Mônica Serrano, desembargadora do TJSP, destaca os objetivos centrais: “A reforma busca transparência, redução da guerra fiscal e menor litigiosidade. Acredito que será positiva, mas teremos um grande caminho a trilhar”. Ela alerta para o período de transição: “Conviveremos com dois sistemas por cinco anos, o que exigirá atenção redobrada. Além disso, a reforma não trouxe solução clara para quem julgará processos envolvendo tributos municipais, estaduais e federais. Continuaremos com ações antigas e novas, e isso pode ser um ponto na questão de contencioso”. Outro ponto crítico é a tributação pelo destino. “Se a empresa tiver negócios em vários estados, terá que lidar com regras diferentes em cada um. Isso exige planejamento e tecnologia”, completa.
Roberto Fragoso, head de tributos da ANEFAC, reforça que a reforma não é apenas um tema fiscal: “Seremos os primeiros a testar um imposto que chega. A dinâmica das áreas técnicas é diferente da comercial e da tributária. As conversas precisam funcionar, porque todos sofrerão impactos”. Para ele, a falta de integração pode gerar riscos operacionais e estratégicos.
Já Gustavo Alves, head de tax na TIM Brasil, lembra que a reforma vai além do consumo: “Poucos acreditavam que estaríamos falando sobre isso, mas virou realidade. Não é só consumo, temos mudanças no IR, lucros e dividendos. É muita coisa junta. O grande desafio é que não é um projeto da área tributária, é um impacto em toda a empresa”. Ele defende comunicação clara e prática: “Precisamos tirar o tecnicismo e levar para a vida real. Não podemos deixar para 2033; quem atrasar terá dificuldades. É hora de melhorar gestão, operação e desenvolvimento profissional. Outro ponto sensível é que o governo foi claro: não haverá aumento nem redução da carga, mas redistribuição. Essa perda não pode refletir no consumidor final”.
Marcus Vinicius, head de tax na KPMG, aponta que a parte mais simples é calcular tributos; a difícil é adaptar o modelo de negócio. “Como registrar novos tributos? Como reconhecer créditos? Não temos orientação clara. Isso pode afetar resultados e fluxo de caixa. Empresas precisam proteger o caixa e revisar contratos para garantir segurança”, explica. Ele reforça que a imprevisibilidade do fluxo financeiro é um dos maiores riscos: “Gestão financeira precisa se planejar agora”.
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