O mercado de wealth management passa por um processo natural de consolidação, tanto no Brasil quanto no cenário internacional. Segundo Wilson Barcellos, CEO da Azimut Brasil Wealth Management, esse movimento é impulsionado por uma combinação de fatores estruturais, como a maior sofisticação dos clientes, o aumento da complexidade regulatória e a necessidade de investimentos crescentes em tecnologia, compliance e qualidade de serviço.
De acordo com ele, esses fatores elevaram de forma significativa o custo de operação do setor. Ao mesmo tempo, a competição acirrada por preços pressiona as margens, tornando modelos com baixo volume de ativos sob gestão (AUM) cada vez menos sustentáveis. Nesse contexto, a incorporação de boutiques independentes e assessorias locais por players de maior porte tem sido um caminho natural para o ganho de escala e eficiência operacional.
No Brasil, esse processo ainda está em curso e deve se intensificar nos próximos anos. Para Barcellos, gestoras de patrimônio capazes de combinar um advisory sofisticado com acesso a investimentos globais tendem a se destacar. Ele ressalta que, no caso da Azimut, a integração a um grupo internacional presente em mais de 20 países permite unir conhecimento local a uma ampla plataforma global de soluções de investimento.
Outro fator estrutural relevante para o setor é a entrada em vigor da CVM 175, que trouxe mudanças importantes para a indústria de fundos no país. Barcellos avalia que a nova regulamentação representa um avanço significativo ao estabelecer maior clareza na separação de responsabilidades entre administrador, gestor e demais prestadores de serviço, além de elevar o padrão de governança do mercado.
Para o investidor, o principal impacto está no aumento da transparência e da segurança jurídica. O novo arcabouço regulatório aproxima o Brasil das melhores práticas internacionais e reforça a solidez de um mercado de capitais que já é considerado sofisticado, criando um ambiente mais robusto para a expansão da indústria de gestão patrimonial.
Ao olhar para o futuro, Barcellos destaca que o Brasil ainda apresenta enorme potencial de crescimento em wealth management. A base de investidores que utilizam serviços estruturados de gestão patrimonial segue pequena quando comparada ao tamanho da economia e ao volume de poupança doméstica existente no país.
Historicamente, as elevadas taxas de juros favoreceram produtos bancários tradicionais, o que reduziu a demanda por estratégias mais sofisticadas de gestão discricionária. Em um cenário estrutural de juros mais baixos, porém, o executivo identifica três vetores claros de crescimento: o fortalecimento do advisory independente, a internacionalização das carteiras e a expansão de produtos alternativos, incluindo estratégias de private markets.
Apesar dessas oportunidades, Barcellos ressalta que o principal desafio continua sendo o avanço da educação financeira e o incentivo a uma visão de investimento orientada ao longo prazo, fatores essenciais para a consolidação desse mercado no país.
Nesse contexto, a diversificação internacional ganha papel cada vez mais relevante. Segundo o CEO da Azimut Brasil, ela deixou de ser apenas uma estratégia de proteção cambial para o investidor brasileiro e passou a representar também acesso a setores, empresas e estratégias que muitas vezes não estão disponíveis no mercado local.
Na prática, trata-se de uma combinação entre proteção e oportunidade estrutural. Gestoras capazes de conectar investidores brasileiros a oportunidades globais tendem a ganhar protagonismo. Ao finalizar, Barcellos pondera que, fazer parte de um grupo internacional com presença em mais de 20 países amplia significativamente a capacidade de oferecer esse acesso, aliando exposição global a serviços de excelência.
