A transparência está incorporada à cultura da Embraer há muito tempo e ganhou relevância à medida que a empresa ampliou sua atuação. Segundo Marcos Rosa, corporate accounting manager da Embraer, esse movimento contribuiu para a sofisticação dos mecanismos de governança da companhia e consolidou a transparência como um elemento-chave para gerar confiança entre os diversos públicos com os quais a empresa se relaciona.
De acordo com o executivo, esse aspecto é crucial para a longevidade do negócio. Em um setor altamente regulado e competitivo como a aviação, zelar pela transparência é fundamental para atuar em conformidade e preservar uma boa reputação.
Ao longo de quase 60 anos desde sua fundação, a Embraer passou por momentos considerados simbólicos para o fortalecimento dessa agenda. Entre eles estão a listagem na bolsa de valores brasileira, em 1989; a privatização, em 1994; a listagem na bolsa americana, em 2000; a entrada da companhia no Novo Mercado da B3, em 2006; e o desenvolvimento e lançamento de novos programas de aviação em todos os segmentos entre 2009 e 2018.
Esses episódios, entre outros, na percepção de Rosa, mobilizaram a empresa a revisitar a pauta da transparência de forma mais estruturada. Ele destaca ainda que a cultura de melhoria contínua da Embraer estimula permanentemente a evolução e o aperfeiçoamento de suas práticas.
Para o executivo, a governança corporativa madura é o ponto de partida para garantir um modelo organizacional capaz de produzir demonstrações financeiras recorrentes com qualidade e linguagem clara, objetiva e confiável. “As demonstrações financeiras são preparadas com base em premissas e julgamentos contábeis criteriosos e refletem o ambiente em que são produzidas.”
Essa dinâmica, afirma, é favorecida por uma cultura corporativa que prevê, entre seus pilares, o tratamento da complexidade com simplicidade, além da adoção de práticas que inspiram confiança, mostram coerência e geram valor para os stakeholders.
Informação, velocidade e novas tecnologias
Ao olhar para os próximos anos, Marcos Rosa observa que o momento atual é marcado pelo grande volume de informações trocadas entre indivíduos e organizações, em alta velocidade e por múltiplos canais. “A produção e a disseminação de conteúdo em larga escala, em um ritmo sem precedentes, tendem a ganhar intensidade ainda maior. Nesse contexto, novas tecnologias, especialmente aquelas associadas à inteligência artificial, continuam transformando profundamente a forma como as organizações se comunicam com diferentes públicos.”
Como consequência, aumentam as expectativas por acesso facilitado à informação, customização e conteúdos apresentados em formatos mais atraentes, de compreensão rápida e efetivos na transmissão das mensagens.
Para Rosa, a transparência é um dos alicerces para a construção e a manutenção de relações de confiança entre a empresa e seus clientes, parceiros, investidores, autoridades e a sociedade em geral. “Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo, a confiança gerada por práticas sólidas de transparência assume papel central na criação de valor e na sustentabilidade dos negócios.”
O executivo afirma que, quando uma organização comunica de forma clara e consistente informações relevantes sobre resultados, desafios e perspectivas, reduz assimetrias de informação e cria uma base mais robusta para a tomada de decisão.
Tecnologia, ESG e aumento da complexidade
Na avaliação de Marcos Rosa, temas como tecnologia, transformação digital, inteligência artificial e ESG trazem camadas adicionais de complexidade às relações entre empresas e seus diversos públicos. Isso ocorre porque ampliam o volume de informações, multiplicam os canais de comunicação e elevam as expectativas por transparência, agilidade e capacidade de resposta.
Segundo o executivo, quanto mais complexo é o ambiente externo, maior é a necessidade de regras internas claras, papéis e responsabilidades bem definidos e métricas consistentes.
Por essa razão, a Embraer segue aprimorando continuamente suas práticas de governança corporativa, reconhecendo que, sem fundamentos sólidos de gestão e controle, a complexidade externa tende a se converter em risco operacional e impacto financeiro.