Eneva: Governança e ESG moldam a estratégia de transparência 

A transparência corporativa tende a ocupar um papel cada vez mais estratégico nas empresas, impulsionada por demandas crescentes de investidores, reguladores e demais públicos de interesse. Na avaliação de Paula Alves, diretora de controladoria e tributário da Eneva, esse movimento exige uma visão integrada do negócio, que conecte desempenho financeiro, gestão de riscos, estratégia e perspectivas de longo prazo. 

Na Eneva, esse compromisso faz parte da forma como a companhia conduz seus negócios e foi fortalecido ao longo dos anos por estruturas de governança, mecanismos de controle e práticas cada vez mais robustas. Entre os principais marcos dessa evolução estão a adoção de melhores práticas de governança corporativa, o fortalecimento dos processos de integridade, gestão de riscos e controles internos e a criação de instâncias independentes de supervisão e fiscalização. 

Nos últimos anos, a empresa também ampliou a integração entre informações financeiras e não financeiras. Iniciativas como o Relato Integrado, a Central de Transparência ESG e a preparação para novos padrões internacionais de divulgação refletem essa estratégia. “Mais do que uma conquista pontual, ele demonstra a consistência com que a Eneva busca aprimorar a qualidade das informações que compartilha com o mercado e a sociedade”, afirma Alves ao comentar a conquista do Troféu Transparência ANEFAC pelo terceiro ano consecutivo. 

Para a executiva, a qualidade das demonstrações financeiras é resultado de um esforço que envolve diferentes áreas da companhia e requer processos estruturados de governança e controle. “A qualidade da informação é resultado de um trabalho que envolve diversas áreas da companhia e exige disciplina, controles robustos e uma cultura de responsabilidade compartilhada”, diz. 

Ela relata que a empresa mantém processos estruturados de governança, gestão de riscos, controles e auditoria internos, além da participação ativa de fóruns especializados que acompanham a elaboração e a divulgação das informações financeiras. O modelo, segundo ela, permite que os dados sejam avaliados de forma criteriosa e consistente antes de serem divulgados ao mercado. 

Além dos processos, Alves ressalta a importância da cultura organizacional. “Transparência, ética e responsabilidade fazem parte da nossa cultura e orientam a forma como produzimos e divulgamos informações.” Para a executiva, a combinação entre pessoas, processos e governança sustenta a confiabilidade das demonstrações financeiras. 

Nos próximos anos, a tendência é que a transparência corporativa avance para modelos de reporte mais integrados, capazes de apresentar uma visão mais ampla dos fatores que influenciam o desempenho das empresas. “A transparência corporativa deve evoluir para uma visão cada vez mais integrada do negócio, combinando desempenho financeiro, gestão de riscos, estratégia e perspectivas de longo prazo”, explica a diretora. 

Segundo ela, investidores, reguladores e demais stakeholders buscam compreender não apenas os resultados reportados, mas também os fatores que sustentam a geração de valor no longo prazo. Nesse contexto, cresce a demanda por informações consistentes, comparáveis e conectadas às decisões estratégicas e à alocação de capital. 

Temas como gestão de riscos, eficiência operacional, resiliência dos modelos de negócio e disciplina financeira tendem a ganhar ainda mais relevância na comunicação corporativa. Como consequência, demonstrações financeiras e relatórios corporativos deverão apresentar níveis crescentes de integração. “O principal desafio será transformar informações cada vez mais amplas e complexas em comunicações claras, objetivas e úteis para a tomada de decisão”, observa Alves. 

Transição energética e sustentabilidade 

A integração entre informações financeiras e não financeiras também orienta a forma como a Eneva aborda temas ligados à transição energética, aos investimentos e à sustentabilidade. “Buscamos integrar de forma consistente as informações financeiras e os temas relacionados à transição energética, aos investimentos e à sustentabilidade”, afirma a diretora. 

Ela observa que investidores, reguladores e sociedade precisam compreender não apenas o desempenho atual das empresas, mas também a forma como elas avaliam riscos, oportunidades e tendências capazes de influenciar sua geração de valor futura. 

Nesse cenário, o compromisso da companhia é oferecer informações claras, relevantes e contextualizadas, apoiadas pela adoção de padrões reconhecidos de reporte e pela integração entre indicadores financeiros e de sustentabilidade. A proposta, segundo Alves, é comunicar ao mercado temas como transição energética, alocação de capital e gestão de riscos com consistência, comparabilidade e credibilidade. 

A evolução dos reportes corporativos também está relacionada ao avanço da tecnologia e da transformação digital. Para Alves, ferramentas digitais e soluções de inteligência artificial vêm ampliando a capacidade das empresas de produzir informações mais precisas e relevantes para seus diferentes públicos. “O uso crescente de soluções digitais e de inteligência artificial contribui para aumentar a eficiência dos processos, fortalecer a gestão de dados e aprimorar a capacidade de análise e de tomada de decisão”. 

Ao mesmo tempo, ela destaca que a agenda ESG ampliou as expectativas em torno da transparência corporativa. Hoje, há uma demanda crescente por informações que permitam compreender não apenas o desempenho financeiro das organizações, mas também suas estratégias, a gestão de riscos climáticos e os impactos socioambientais das operações. 

Como exemplo dessa evolução, a executiva cita a migração do reporte corporativo da Eneva para a Central de Transparência ESG e para o Databook ESG, plataformas estruturadas com base em referências internacionais como GRI, SASB, TCFD e IIRC. Segundo ela, a iniciativa amplia a acessibilidade e a organização das informações, fortalece a preparação da companhia para as normas IFRS S1 e IFRS S2 e contribui para uma comunicação mais transparente sobre a geração de valor e os impactos socioambientais da empresa. “Acreditamos que a tecnologia tem um papel fundamental nesse processo, não apenas por tornar a gestão da informação mais eficiente, mas também por ampliar a capacidade das empresas de prestar contas de forma clara, consistente e confiável”, conclui. 

 

Paula Alves, diretora de controladoria e tributário da Eneva

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