Santos Brasil: Mercado exige informações mais rápidas e integradas 

A transparência corporativa acompanha a evolução das empresas e das exigências do mercado. À medida que investidores, reguladores e sociedade passam a demandar informações mais completas sobre a geração de valor, cresce também a necessidade de integrar dados financeiros, riscos, governança e sustentabilidade em uma comunicação clara e confiável. 

Na Santos Brasil, essa trajetória foi construída ao longo do tempo. Segundo Thiago Otero Vasques, gerente contábil e fiscal da companhia, a transparência sempre foi um princípio importante para a Santos Brasil, mas naturalmente evoluiu junto com a própria companhia. 

Um marco importante desse processo ocorreu em 2006, quando a empresa passou a ter seus valores mobiliários negociados na B3. De acordo com o executivo, a mudança ampliou significativamente as exigências de governança, prestação de contas e transparência junto ao mercado. “A companhia vem aprimorando continuamente seus processos, controles internos e a qualidade das informações divulgadas, acompanhando sua evolução e crescimento”. 

Para a Santos Brasil, a qualidade das demonstrações financeiras começa antes da divulgação dos resultados. O trabalho envolve processos estruturados, controles internos, tecnologia e alinhamento entre diferentes áreas da organização. “A qualidade das demonstrações financeiras começa com processos bem estruturados, controles internos sólidos e, principalmente, com o comprometimento das pessoas”, ressalta Vasques. 

Segundo ele, a companhia mantém rotinas de fechamento e revisão, sistemas integrados, auditoria independente e interação constante entre as áreas de negócio, criando um ambiente capaz de sustentar informações consistentes e confiáveis. A clareza também ocupa papel central nesse processo. Por essa razão, a empresa busca “apresentar as informações de forma clara e consistente, para que reflitam adequadamente a realidade econômica da companhia”. 

O avanço das exigências de mercado deve transformar ainda mais a forma como as organizações divulgam informações nos próximos anos. “A tendência é de uma exigência cada vez maior por informações mais rápidas, detalhadas e integradas”, avalia Vasques. 

Na visão dele, a análise das empresas já não está restrita aos resultados financeiros. “Não será suficiente apresentar apenas os resultados financeiros; investidores, reguladores e a sociedade querem entender também como esses resultados são gerados, os riscos envolvidos e os impactos ambientais, sociais e de governança.” 

Essa mudança, acrescenta, terá reflexos diretos na elaboração e na comunicação das informações corporativas. “Acredito que as demonstrações financeiras estarão cada vez mais conectadas a essas informações, exigindo maior integração entre dados financeiros e não financeiros.” 

Relatório de Sustentabilidade e compliance reforçam prestação de contas 

Na Santos Brasil, esse movimento já vem sendo incorporado à forma como a companhia estrutura e divulga suas informações ao mercado. Além das demonstrações financeiras, a empresa publica anualmente seu Relatório de Sustentabilidade seguindo os padrões da Global Reporting Initiative (GRI). Desde 2019, os principais resultados operacionais, econômico-financeiros, sociais e ambientais passam por verificação independente. 

A companhia também mantém uma estrutura de Compliance voltada ao fortalecimento da ética e da integridade corporativa. A organização possui políticas e normas voltadas à ética, integridade, prevenção à corrupção e relacionamento com parceiros de negócios. 

Essas iniciativas refletem uma transformação mais ampla da transparência corporativa. “Esse conjunto de práticas mostra como a transparência corporativa tende a ser cada vez mais ampla, integrando informações financeiras, indicadores ESG, riscos e aspectos de governança para oferecer uma visão mais completa sobre a geração de valor e a atuação da empresa”, diz o gerente. 

Em operações que envolvem diferentes parceiros e stakeholders, a transparência depende da coordenação entre diversas áreas e da definição clara das responsabilidades. “Em operações complexas, transparência depende principalmente de governança, comunicação e definição clara de responsabilidades”, enfatiza Vasques. 

A empresa adota uma atuação integrada para lidar com situações mais complexas. Na Santos Brasil, se busca envolver as diferentes áreas desde o início. Além disso, a companhia trabalha de forma próxima com auditores, consultores e outros parceiros sempre que necessário. Essa abordagem, explica o executivo, permite “avaliar adequadamente os impactos contábeis, fiscais, jurídicos e financeiros e garantir que as informações sejam consistentes e compreensíveis para os diferentes stakeholders”. 

A transformação digital também vem alterando significativamente a produção e a análise das informações corporativas. Esses temas já estão transformando significativamente a forma como a empresa produz e analisa informações. 

Vasques observa que “a tecnologia e a automação aumentam a eficiência, reduzem atividades manuais e permitem análises mais rápidas e consistentes”, contribuindo para ganhos de produtividade e qualidade na gestão da informação. 

Nesse contexto, a inteligência artificial surge como mais um vetor de transformação. Ele acredita que inteligência artificial tende a ampliar ainda mais essa capacidade, inclusive na identificação de riscos e análise de grandes volumes de dados. 

Ao mesmo tempo, o avanço da agenda ESG amplia o alcance da transparência corporativa. Na avaliação dele, ESG amplia o conceito de transparência, trazendo para o mesmo ambiente informações financeiras e não financeiras e permitindo uma visão mais completa do desempenho e da sustentabilidade do negócio. 

A experiência da Santos Brasil reflete uma tendência presente em diferentes setores da economia: a convergência entre desempenho financeiro, sustentabilidade, governança e tecnologia. “A transparência tende a se tornar cada vez mais abrangente, exigindo das empresas não apenas dados confiáveis, mas também a capacidade de conectar informações financeiras e não financeiras de forma clara, consistente e compreensível para os diversos públicos de interesse”, conclui Vasques. 

Thiago Otero Vasques, gerente contábil e fiscal

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