A transparência corporativa vem ampliando seu escopo nas empresas. Mais do que divulgar resultados financeiros, as companhias são cada vez mais demandadas a explicar a relação entre estratégia, riscos, sustentabilidade e criação de valor. Na TAESA, essa evolução acompanha o amadurecimento da organização e a crescente complexidade das expectativas do mercado.
Na avaliação de Catia Pereira, diretoria financeira e de relações com investidores da companhia, a transparência sempre foi um valor importante para a TAESA. “O tema vai além das exigências regulatórias e representa uma ferramenta para fortalecer a confiança e qualificar a tomada de decisão.”
A executiva explica que essa visão foi sendo aprimorada ao longo dos anos, acompanhando a maturidade da empresa e as demandas dos stakeholders. “Ao longo dos anos, ampliamos não apenas o volume de informações divulgadas, mas, principalmente, sua qualidade, comparabilidade e tempestividade.”
Um dos marcos dessa trajetória ocorreu em 2019, quando a companhia estruturou seu Projeto de Sustentabilidade e passou a integrar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) à estratégia corporativa. De acordo com Pereira, a iniciativa fortaleceu a transparência e a comparabilidade dos relatos.
Mais recentemente, acrescenta, a evolução ganhou novas dimensões com a adoção da dupla materialidade, o fortalecimento da agenda de transparência e governança e o aprimoramento do relatório de sustentabilidade de 2026, incorporando diretrizes do relato integrado para conectar estratégia, execução, riscos, desempenho e geração de valor no longo prazo.
Divulgar melhor é mais importante do que divulgar mais
Ao abordar a evolução da transparência corporativa, a executiva destaca que a quantidade de informações divulgadas não é, por si só, o principal indicador de qualidade. “Há um ponto que considero fundamental: transparência não é simplesmente divulgar mais. É divulgar melhor, no momento adequado e de uma forma que permita aos acionistas compreender a realidade do negócio e o momento da Companhia”.
Na percepção de Pereira, essa responsabilidade é particularmente relevante para as áreas de finanças e relações com investidores. “O mercado não espera apenas números; espera entender o que está por trás deles: as escolhas feitas, os riscos assumidos, as oportunidades identificadas e a forma como estamos construindo valor de maneira sustentável no longo prazo.”
Para a executiva, a confiabilidade das demonstrações financeiras é resultado de uma construção que começa muito antes da divulgação dos números. “Para mim, a qualidade da informação começa muito antes da demonstração financeira. Ela começa na qualidade dos processos, dos controles, das pessoas e da cultura da organização.”
Na TAESA, esse processo é sustentado por estruturas de governança, controles internos, gestão de riscos e compliance. O Sistema de Gestão Integrado também estabelece compromissos relacionados à qualidade, à conformidade legal e regulatória e à melhoria contínua dos processos. Mas, segundo Pereira, existe um fator indispensável para que as informações reflitam adequadamente a realidade da empresa. “Há um componente que considero essencial: a responsabilidade compartilhada.”
Ela destaca que a produção das demonstrações financeiras envolve diversas áreas da organização. “Uma demonstração financeira não é produzida apenas pela área de finanças (contabilidade, controladoria e tesouraria). Ela é consequência de uma cadeia de informações que envolve operação, engenharia, projetos, suprimentos, jurídico, regulatório, tecnologia, pessoas e várias outras áreas.”
Nesse contexto, o papel de finanças vai além da consolidação de números. “Nosso papel em finanças é também conectar essas informações, questioná-las, buscar consistência e transformar dados em informação para tomada de decisão”, relata Pereira. E acrescenta: “garantir que todos os envolvidos tenham uma visão ampla do que a demonstração financeira traduz a execução da estratégia”.
Transparência passa a conectar estratégia, riscos e sustentabilidade
Nos próximos anos, a tendência é de uma ampliação do conceito de transparência corporativa. “Acredito que estamos caminhando para um conceito de transparência muito mais amplo. Houve uma mudança importante na forma como investidores, reguladores e sociedade analisam as organizações. Durante muito tempo, a discussão esteve concentrada em ‘o que precisamos divulgar?’. Agora, cada vez mais, a pergunta passa a ser: ‘como demonstramos a conexão entre estratégia, riscos, sustentabilidade e geração de valor?”, avalia Pereira.
Ela aponta a adoção da dupla materialidade pela TAESA como um exemplo dessa transformação. “A adoção da dupla materialidade pela TAESA é um bom exemplo dessa mudança”. Segundo a empresa, após ampla consulta com stakeholders internos e externos, a metodologia passou a considerar tanto os impactos da companhia sobre o ambiente e a sociedade quanto os riscos e oportunidades capazes de influenciar o desempenho e a criação de valor do negócio.
A executiva acredita que o mercado passará a exigir níveis crescentes de consistência e evidências. “Nos próximos anos, acredito que veremos uma cobrança crescente por consistência, rastreabilidade, comparabilidade e evidências.”
Ela acrescenta que “não será suficiente dizer que determinado tema é relevante; será necessário demonstrar como ele é medido, gerenciado e, quando aplicável, como impacta riscos, investimentos, resultados e decisões de capital”. As próprias demonstrações financeiras precisarão evoluir para refletir essa realidade. “Finanças precisará cada vez mais traduzir temas não financeiros em linguagem econômica e financeira, sem perder o rigor técnico.”
A relação entre sustentabilidade, investimentos e estratégia ocupa posição central na visão da companhia sobre transparência. “Esse é um tema particularmente importante para a TAESA”, destaca a executiva. Que explica: a transmissão de energia tem papel estrutural na transição energética ao permitir o escoamento e a integração de fontes renováveis ao Sistema Interligado Nacional. A companhia reconhece a transmissão como categoria elegível para Green Bonds e conta com um framework de finanças verdes para orientar a aplicação e o reporte dos recursos.
Para Pereira, a credibilidade das informações está diretamente ligada à integração entre aspectos financeiros e sustentáveis. “O equilíbrio, para mim, está em não separar sustentabilidade da estratégia corporativa e financeira.”
Ela explica que, ao realizar investimentos, a companhia avalia retorno, risco, estrutura de capital, geração de caixa e sustentabilidade do negócio. Nos projetos associados à transição energética, também busca demonstrar a contribuição ambiental e social das iniciativas e a utilização dos recursos. “É justamente essa conexão que dá credibilidade à informação”.
De acordo com a empresa, essa integração também deverá influenciar os relatórios corporativos. Na prática, significa sair de uma visão em que ESG é um capítulo separado do relatório e caminhar para uma visão em que sustentabilidade, estratégia, alocação de capital e geração de valor fazem parte da mesma conversa. Essa visão consolidada tende a se refletir de forma cada vez mais clara no Relato Integrado que a companhia vem desenvolvendo para os próximos ciclos.
A transformação digital é vista pela executiva como um dos principais vetores de fortalecimento da transparência corporativa. “Eu vejo tecnologia e transformação digital como grandes habilitadores de transparência. O aumento do volume de dados exige maior atenção à qualidade, governança, segurança, rastreabilidade e capacidade analítica. Nesse cenário, a área financeira assume uma função cada vez mais estratégica. Deixamos de ser apenas uma área que consolida informações e passamos a atuar cada vez mais como orquestradores de dados e informações para a tomada de decisão.”
Ela observa ainda que inovação e digitalização estão entre os temas materiais da companhia, ao lado de cibersegurança, eficiência operacional, governança, riscos e compliance. A inteligência artificial também amplia as possibilidades de análise. “Ela ajuda a analisar grandes volumes de informação, identificar padrões e dar agilidade aos processos, atuando como alavanca de geração de valor.”
Ao mesmo tempo, a Taesa entende que a tecnologia não substitui governança, julgamento profissional e responsabilidade. Assim, a comunicação corporativa também passa por uma transformação relevante. “O futuro da comunicação corporativa será menos sobre ‘publicar informações’ e mais sobre tornar a informação compreensível, acessível e útil, em resumo, comunicar uma narrativa consistente e sustentável a longo prazo, materializada em resultados”, pondera Pereira.
No entendimento dela, é justamente nesse ponto que convergem finanças, tecnologia, ESG e relacionamento com investidores. “Esse é, para mim, o ponto de encontro entre Finanças, tecnologia, ESG e relacionamento com o mercado: transformar dados em informação que gere confiança e permita melhores decisões.”