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Instabilidade econômica dificulta acesso a crédito pelas PMEs

Apensar de demanda ter aumentado visando a retomada do mercado pós-pandêmico, alta da taxa básica de juros e retração econômica provocam escassez e maiores exigências

Afetadas pelos desdobramentos da pandemia de Covid-19, as PMEs (Pequenas e Médias Empresas) buscam formas para se manterem competitivas no mercado. Ao reorganizar os seus negócios, muitos empresários identificam que uma possibilidade pode ser a tomada de crédito. “O baixo volume de negócios e os desafios da quarentena se tornaram desafiadores ao extremo para as empresas manterem a saúde financeira em dia e ter condições de obter créditos para as despesas de sustentação do negócio”, explica Lutti Colautto, fundador da Lampada.ag.

De acordo com o Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian, em 2022, a demanda por crédito cresceu 20% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano passado, sendo que os micro e pequenos negócios tiveram um desempenho expressivo na procura pelo recurso financeiro, marcando alta de 21,2%.

Apesar de ser uma prática bem comum no mercado, a jornada a ser percorrida em busca de crédito já não é uma tarefa normalmente fácil, mas em um cenário econômico instável, como o que existe atualmente, é ainda mais complicada. “Além dos desafios usuais, a escalada da Selic faz com que o custo efetivo da dívida ultrapasse facilmente a marca de 20% a.a. Somado a isso, o enrijecimento na análise de crédito, por parte das instituições financeiras, faz com que o acesso das PMEs, às principais linhas de financiamentos, seja doloroso, tanto para as de capital de giro como de novos projetos”, pontua Carla Janaína Berto, CEO e líder de Captação de Crédito na Incentiva Capital.

Outro desafio que se observa é uma diminuição na oferta de recursos oferecidos pelas principais agências de fomento no país, que atinge em cheio todas as PMEs, mas principalmente as empresas inovadoras do ecossistema, as startups. Para se ter ideia, editais de subvenção de crédito ou linhas incentivadas não são mais comuns no mercado como eram até o ano de 2020.

Ou seja, a demanda por crédito aumentou, mas por outro lado, atualmente, o mercado de crédito está muito reprimido para as PMEs, fruto do cenário gerado pela pandemia nos últimos dois anos, pela retração da economia e pela alta da taxa de juros. Na avaliação de Berto, os bancos enrijeceram a análise de crédito dos clientes, desfavorecendo os empresários brasileiros neste ano de retomada de seus empreendimentos. Muitos, inclusive, estão aguardando a aprovação do REFIS para regularizar as dívidas geradas durante a pandemia.

É preciso ainda levar em conta que o dia a dia do empresário brasileiro não é nada fácil, pois precisa gerir equipes, controlar estoque, fazer os pagamentos das despesas e investimentos para o crescimento. Com estruturas mais reduzidas, ele faz diversos malabarismos para que o seu fluxo de caixa siga positivo até o fechamento do mês.

Por isso, diversas vezes a busca por crédito junto às instituições financeiras para suprir demandas como complementação do fluxo de caixa, compra de equipamentos, expansão dos negócios e outras atividades do dia a dia, se torna necessária para o crescimento das empresas. Mas, ao buscar crédito no mercado, o empresário se depara com entraves como os citados por Berto:

– Necessidade de apresentação de garantias solicitadas pelas emissoras de crédito, que podem ser bens imóveis, veículos, aplicação financeira, entre outras. Ocorre que na maioria dos casos os pequenos empresários não possuem tais garantias para obter o crédito necessário;

– Restrições em nome dos sócios ou da empresa que impedem a aprovação do crédito;

– Pouco tempo de atividade no mercado: quase não existem linhas de créditos para empresas que possuem menos de um ano de atividade;

– Baixo limite de crédito fornecido pelas instituições financeiras, pois o crédito é baseado, geralmente, no estudo global da empresa e, principalmente, sobre o faturamento histórico; e

– Baixa confiabilidade das demonstrações contábeis fornecidas pelas PMEs, fruto da falta de controles internos e organização das informações gerenciais. Nestes casos, os agentes financeiros não conseguem entender de maneira clara a saúde financeira das empresas, gerando dúvidas quanto à capacidade de pagamento do recurso oferecido.

Por fim, na maioria dos casos, as PMEs precisam estar todas em dia e em uma situação financeira saudável para ter acesso a maior parte das linhas de crédito do mercado.

Já para Colautto, a maior barreira para uma PME conseguir crédito, é a falta de assessoria e orientações adequadas. “Geralmente tentamos acessar via gerente de banco de relacionamento e estes estão sempre priorizando metas e serviços da instituição. As linhas do governo não são claras em relação a como e onde obtê-las”, diz.

Com isso, a principal dica é que as empresas tenham um planejamento financeiro de pelo menos um ano, identificando quanto e quando precisarão de recursos de terceiros. Assim, poderão buscar linhas específicas para as suas necessidades – sem surpresas e sem correria – e comparar as caraterísticas de cada uma, como prazo, período de carência e taxa de juros.

Aliado a esses fatores, para ter acesso a crédito o empresário geralmente precisa, segundo Berto:

– demonstrar uma ótima organização financeira;

– possuir informações gerenciais organizadas, gerando demonstrações contábeis confiáveis;

– ter mapeado o endividamento da empresa (seja este tributário ou financeiro);

– monitorar as certidões municipais, federais e estaduais;

– manter relacionamento contínuo com a sua instituição financeira, pois esses agentes atuam muitas vezes na base da reciprocidade;

– apresentar uma tese de crédito consistente ao banco, ou seja, trazer justificativas sólidas dentro dos dados apresentados pela empresa; e

– buscar fontes de crédito alternativas como cooperativas de crédito, fintechs e fundos privados.

Bem como, procurar especialistas em obtenção de créditos ou assessores que tenham conhecimento em possíveis caminhos junto aos diversos órgãos de financiamento. Eles podem assessorar na obtenção da documentação necessária para potencializar as chances de captação de recursos.

“Sempre é bom combinar o jogo antes, se haverá remuneração sobre resultado obtido ou valor a ser pago antecipadamente. No nosso caso, não trabalhamos com assessores que cobram antecipadamente, negociamos um valor pelo resultado, mais conhecido como “sucesso fee” sobre a operação concretizada”, finaliza Colautto.

Lutti Colautto, fundador da Lampada.ag
Carla Janaína Berto, CEO e líder de Captação de Crédito na Incentiva Capital