Copel: Investir em governança e tecnologia para ampliar transparência 

A transparência corporativa vem ampliando seu alcance para além das demonstrações financeiras tradicionais. A combinação entre desempenho econômico, riscos climáticos, sustentabilidade e governança deve se tornar uma das principais exigências de investidores, reguladores e da sociedade nos próximos anos. A avaliação é de Felipe Gutterres, vice-presidente de finanças e de relações com investidores da Copel, que vê uma evolução contínua das práticas de divulgação corporativa em direção a um modelo mais integrado. 

Segundo o executivo, a transparência sempre esteve entre os valores estruturantes da companhia, mas foi fortalecida ao longo do tempo por meio da evolução da governança corporativa, da comunicação com o mercado e da adoção de padrões internacionais de reporte. 

Essa trajetória foi acompanhada pelo aprimoramento dos sistemas de controles internos, gestão de riscos e compliance, além da diversificação da base acionária da empresa. Um dos pilares desse processo é a presença da Copel na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) há mais de 25 anos, condição que exige aderência permanente às rigorosas regras do mercado norte-americano. 

Mais recentemente, a conclusão da migração para o Novo Mercado da B3, em 2025, representou um marco na estratégia da companhia. Considerado o mais elevado segmento de governança corporativa do mercado brasileiro, o Novo Mercado reforçou os compromissos da empresa com equidade, transparência e geração de valor sustentável. 

Governança e integridade das informações 

Para Gutterres, a qualidade das demonstrações financeiras depende de uma combinação entre governança robusta, processos estruturados e elevado rigor técnico. 

Como companhia listada simultaneamente no Novo Mercado da B3 e na NYSE, a Copel opera sob elevados padrões de governança corporativa, sustentados por um Programa de Integridade e por um Código de Conduta que estabelece a ética como valor central das atividades da organização. 

A integridade das informações divulgadas ao mercado é assegurada por equipes técnicas especializadas, supervisionadas pelos órgãos de governança e por auditoria externa independente. A empresa também vem ampliando a automação de processos e fortalecendo controles internos para garantir rastreabilidade, precisão e integridade dos dados reportados. 

Ele entende que a tecnologia exerce papel decisivo nesse processo ao reduzir riscos operacionais e ampliar a confiabilidade das informações financeiras e gerenciais. 

ESG redefine o conceito de transparência 

Na avaliação da companhia, o futuro da transparência corporativa estará diretamente associado à integração entre indicadores financeiros e temas ambientais, sociais e de governança (ESG). 

“A sociedade, os reguladores e os investidores demandarão, de forma cada vez mais rigorosa, que os resultados reportados reflitam claramente os impactos socioambientais, riscos climáticos e as estratégias de sustentabilidade implementadas”, afirma Gutterres. 

Essa mudança tende a ampliar o volume e a relevância das informações não financeiras presentes nos relatórios corporativos, exigindo das empresas maior capacidade de demonstrar como questões relacionadas ao clima, à sustentabilidade e à gestão de riscos influenciam seus resultados e perspectivas de longo prazo. 

Para o executivo, a transparência deixará de ser medida apenas pela qualidade dos números apresentados e passará a ser avaliada também pela capacidade das organizações de demonstrar, de forma consistente, a relação entre estratégia, riscos, impacto socioambiental e geração de valor. 

Transição energética e alocação de capital 

A estratégia de transparência da Copel também está associada à forma como a empresa comunica seus investimentos e iniciativas ligadas à transição energética. 

Na percepção da companhia, a conexão entre visão de futuro e alocação estratégica de capital é um dos elementos centrais da comunicação com investidores. Entre as iniciativas destacadas está o Plano de Neutralidade de Carbono até 2030, além da manutenção de uma matriz de geração de energia 100% renovável. 

A empresa também detalha ao mercado o direcionamento de seus investimentos (CAPEX) para projetos voltados à modernização e digitalização das redes elétricas, bem como para a expansão da capacidade de geração. Entre os projetos estratégicos estão os empreendimentos de ampliação das usinas hidrelétricas de Foz do Areia e Segredo. 

De acordo com Gutterres, a divulgação desses investimentos permite demonstrar de forma objetiva como a companhia busca conciliar responsabilidade socioambiental e criação de valor sustentável para acionistas e demais stakeholders. 

Tecnologia amplia qualidade dos dados 

A transformação digital é apontada como outro fator relevante na evolução da comunicação corporativa da companhia. De acordo com ele, iniciativas como a implementação do SAP S/4HANA, a expansão dos medidores inteligentes (smart meters) e o avanço do faturamento digital aumentaram a agilidade, a precisão e a rastreabilidade dos dados utilizados pela organização. 

Esses avanços fortalecem a produção de informações financeiras e operacionais mais consistentes, permitindo à empresa responder com maior rapidez às demandas de investidores, reguladores e demais públicos de interesse. 

Paralelamente, a agenda ESG ampliou o escopo das informações divulgadas ao mercado. Entre os reconhecimentos citados pela companhia estão a participação no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3) e a presença no ranking Dow Jones Best in Class. 

Gutterres cita que a combinação entre digitalização, governança e sustentabilidade, permite à Copel avançar na construção de um relato integrado, conectando eficiência operacional, desempenho financeiro e governança socioambiental em uma narrativa única para investidores e sociedade. 

Em um ambiente regulatório cada vez mais exigente, a expectativa da empresa é que a transparência corporativa continue evoluindo para modelos de divulgação capazes de oferecer uma visão mais completa sobre os fatores que influenciam a geração de valor no longo prazo. 

Felipe Gutterres, vice-presidente de finanças e de relações com investidores da Copel

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