A transparência acompanha a história da Eucatex e faz parte da cultura da companhia. Aberta desde 1969, a empresa desenvolveu ao longo das décadas uma estrutura de governança voltada ao atendimento de seus stakeholders, acompanhando a evolução do mercado de capitais brasileiro.
De acordo com Sérgio Ribeiro, CFO da companhia, a transparência sempre esteve presente na história da Eucatex e faz parte da cultura da companhia. O executivo observa que a governança evoluiu ao longo do tempo, ainda que em determinados momentos tivesse um caráter menos formal.
Um marco recente desse processo ocorreu em 2023, com a entrada do BTG no capital da empresa. A Eucatex passou a adotar uma postura ainda mais voltada ao mercado, com o fortalecimento e a formalização de diversas práticas de governança.
A evolução da governança também se refletiu na composição do Conselho de Administração, que atualmente conta com três membros independentes com ampla experiência executiva. Para o CFO, a presença desses profissionais contribuiu para ampliar a discussão de temas estratégicos, fortalecer os mecanismos de supervisão e trazer novas perspectivas para a administração.
Nesse período, a companhia estruturou o Comitê de Pessoas e o Comitê de Auditoria, além de fortalecer a atuação do Comitê de Ética. Também foi criada uma Gerência de ESG com reporte direto à Diretoria Executiva. Na visão da empresa, isso permitiu dar maior relevância e disciplina aos temas ambientais, sociais e de governança, culminando na publicação de dois Relatórios de sustentabilidade.
O movimento representa a formalização de um compromisso histórico da companhia. “Essa evolução não representa uma mudança de direção, mas a formalização de preocupações que já faziam parte da história da Eucatex, que foi pioneira na obtenção e manutenção do selo verde”, avalia Ribeiro.
Além disso, a companhia preservou seus valores culturais e passou a estruturar sua governança de forma mais formal e robusta, com comitês especializados, processos aprimorados e uma comunicação alinhada às expectativas do mercado.
Para a Eucatex, a qualidade das demonstrações financeiras resulta da combinação entre processos, sistemas, controles, pessoas e governança. Pois a qualidade e a confiabilidade da informação financeira dependem de uma combinação de processos, controles, sistemas, pessoas e, principalmente, de uma cultura que valorize a integridade.
A companhia mantém processos de fechamento, controles internos e mecanismos de revisão que envolvem diferentes áreas, incluindo a controladoria, a Auditoria Independente e os órgãos de governança. Na percepção do executivo, o fortalecimento da governança ampliou a profundidade das discussões sobre resultados e riscos. “A atuação do Conselho de Administração, do Comitê de Auditoria e a segregação de responsabilidades proporcionam discussões mais aprofundadas sobre números, riscos e temas relevantes, permitindo questionar e aprofundar as informações apresentadas.”
Para o CFO, a informação financeira precisa ser não apenas correta, mas também consistente e capaz de explicar adequadamente o desempenho da companhia. A comunicação das informações também exige clareza, por isso, ele entende que, transparência não significa simplesmente divulgar uma quantidade maior de informações, mas sim apresentar dados relevantes, confiáveis e compreensíveis para que os stakeholders tenham uma visão adequada da situação da empresa. “A confiabilidade das demonstrações financeiras é resultado desse conjunto: processos bem definidos, controles adequados, profissionais preparados, governança atuante e uma cultura de responsabilidade sobre a informação divulgada”.
Na visão da companhia, a transparência corporativa continuará evoluindo em linha com as exigências do mercado de capitais. “A transparência corporativa continuará evoluindo acompanhando as exigências do mercado de capitais”, afirma Ribeiro.
Segundo ele, os investidores e demais públicos de interesse passaram a demandar uma compreensão mais ampla dos negócios. “Se no passado o foco estava na divulgação de informações financeiras e no cumprimento de exigências regulatórias, hoje os stakeholders querem compreender os fatores por trás dos números, os riscos envolvidos e a capacidade de a companhia gerar valor de forma sustentável ao longo do tempo.”
Nesse contexto, temas como sustentabilidade, mudanças climáticas, gestão de riscos, capital humano, governança e eficiência operacional ganham importância crescente para a avaliação das empresas. A Eucatex entende que isso fará com que as informações financeiras e não financeiras estejam cada vez mais conectadas.
Essa transformação também altera o papel da área financeira dentro das organizações. Como exemplo, Ribeiro cita que a controladoria deixa de ter apenas o papel de registrar e reportar o que aconteceu no passado e passa a contribuir ativamente para explicar o negócio, seus riscos e seus direcionadores de valor. “A tecnologia permitirá disponibilizar essa informação de forma mais tempestiva e acessível, mantendo o desafio de assegurar qualidade, consistência, segurança e clareza”.
Na Eucatex, o objetivo é dar continuidade ao processo de aperfeiçoamento da transparência e da governança. Nos próximos anos, a empresa dará continuidade a esse processo que já vem construindo há décadas, acompanhando a evolução das expectativas do mercado sem perder de vista os princípios fundamentais de confiabilidade e transparência.
Comunicação focada no que é relevante para os stakeholders
As demandas dos stakeholders também evoluíram ao longo do tempo. Hoje, a companhia percebe uma busca crescente por informações capazes de explicar não apenas os resultados, mas também sua qualidade e sustentabilidade. Ribeiro explica que atualmente, percebemos uma busca maior por informações que permitam entender não apenas o resultado da companhia, mas a qualidade desse resultado e sua sustentabilidade no longo prazo.
De acordo com ele, investidores e demais públicos buscam compreender aspectos relacionados à geração de caixa, endividamento, investimentos, margens, eficiência operacional, perspectivas do negócio, riscos futuros e fatores ambientais, sociais e de governança.
A Eucatex procura responder a essas expectativas por meio de uma comunicação estruturada e consistente. Para isso, utiliza demonstrações financeiras, Relatório da Administração, informações periódicas disponibilizadas ao mercado, Relatórios de Sustentabilidade e outros instrumentos corporativos.
Ribeiro chama atenção para a necessidade de diferenciar transparência de excesso de informação. “Transparência e excesso de informação não são a mesma coisa. Nosso desafio é identificar aquilo que é efetivamente relevante para os stakeholders e apresentar essas informações de forma clara, consistente e contextualizada, elevando a qualidade da nossa comunicação com o mercado”.
Aliado a isso, a transformação digital vem modificando de forma significativa a atuação das áreas financeiras e o processo de produção das informações corporativas. “A tecnologia e a transformação digital vêm alterando de maneira significativa a forma como as áreas financeiras trabalham”, ressalta Ribeiro.
Na companhia, a automação de processos contribui para aumentar a eficiência operacional. Hoje, a Eucatex consegue automatizar processos manuais, melhorar a rastreabilidade das informações e reduzir o tempo de consolidação dos dados.
O uso de ferramentas analíticas e inteligência artificial amplia a capacidade de análise da controladoria. Assim, o CFO reforça que a controladoria ganha capacidade de sair de uma visão predominantemente histórica para atuar na análise de grandes volumes de dados, identificação de tendências e construção de cenários.
Ao mesmo tempo, o executivo destaca a importância dos mecanismos de controle. “É essencial fortalecer os mecanismos de governança e validação humana sobre as informações divulgadas ao mercado.”
No campo ESG, a companhia observa um movimento semelhante de amadurecimento. Porque questões que no passado eram tratadas de forma qualitativa hoje precisam ser traduzidas em indicadores, métricas, processos e evidências, aproximando o tema da área financeira. Na Eucatex, essa evolução se conecta à nossa história de preocupação ambiental e social, dando cada vez mais estrutura, governança e transparência a esses temas.
Ao finalizar, Ribeiro sugere que a principal transformação está na integração entre diferentes fontes de informação. “A controladoria deixa de ser responsável apenas pelo fechamento contábil e assume um papel relevante na integração das informações financeiras, operacionais, ambientais e sociais, ajudando a Companhia a compreender seu desempenho e a comunicar de forma transparente como constrói valor para seus diferentes stakeholders.”