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Tendências e desafios dos relatórios de sustentabilidade no Brasil e no mundo 

“Falar sobre relatórios de sustentabilidade está na moda, mas não queremos que seja apenas uma tendência passageira. Queremos que isso seja parte integrante da nossa profissão, contribuindo para mercados ainda mais transparentes. Ao abordarmos os relatórios de sustentabilidade, é importante considerar as perspectivas do ISSB e dos ODS, pois esse é o caminho que estamos trilhando atualmente”, afirmou Vania Borgerth, board member, durante sua palestra no Congresso ANEFAC, no painel sobre Padrões e Comunicações, Relatório de Sustentabilidade e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 

Para Borgerth, os ODS ensinam a enxergar a sustentabilidade como uma oportunidade de negócio, como mercados futuros com demandas que podem ser atendidas pelas empresas. Ao considerar questões de sustentabilidade, se está preparando as empresas para as tendências do futuro. Por exemplo, os consumidores irão preferir produtos que tenham sido gerados de forma sustentável, respeitando a natureza, a dignidade humana e seguindo boas práticas de governança. “Queremos consumir produtos, mas também queremos ter a garantia de que não houve exploração de trabalho escravo, por exemplo, e que nenhum desrespeito ético tenha ocorrido.” 

Qual é a novidade dos relatórios de sustentabilidade no mundo que já está sendo praticada globalmente? Para responder a essa pergunta, Borgerth explicou que anteriormente nenhuma empresa era obrigada a reportar, pois só precisavam reportar se optasse por fazê-lo. No entanto, muitas empresas começaram a adotar a prática de reportar e o resultado foi que o mercado passou a valorizar esses dados e perceber sua importância para ajudar os stakeholders a tomar decisões relevantes e sólidas.  

Como resultado, os mercados estão mudando sua postura em relação aos relatórios de sustentabilidade. O modelo de relatórios está evoluindo de um simples relato para um modelo regulamentado, não apenas como um relatório ou lista de verificação, mas sim em padrões globais que permitam comparações, identificação de tendências e tomada de decisões tanto interna quanto externamente para a empresa. “Para o uso regulamentado, a IFRS Foundation é a entidade responsável, a mesma que estabelece as normas contábeis. Portanto, é importante discutir esse assunto com profissionais de contabilidade comprometidos com a geração e gestão dessa informação que é produzida”, avalia Borgerth. 

Ao falar de sua experiência nesse tema, outro palestrante, Estevan Pereira, owner do Grupo Report, destaca que o termo ESG é amplamente mencionado na mídia e na internet, mas antes da pandemia não estava na agenda das empresas. Historicamente, os contratos eram fechados com a área de sustentabilidade, mas agora são fechados com os CEOs, que passaram a enxergar a sustentabilidade de forma mais estratégica. “Essa preocupação com a sustentabilidade entrou na agenda das lideranças empresariais há pouco tempo”, pondera. 

É importante diferenciar o ESG da sustentabilidade. Quando se fala de ESG, responde aos investidores, enquanto a sustentabilidade, de acordo com os relatórios de sustentabilidade, como o GRI, está respondendo aos provedores de capital e a toda a sociedade. Portanto, segundo Pereira, é importante que a regulamentação leve em consideração os provedores de capital e que a empresa considere a criação ou destruição de valor a longo prazo, além do olhar dos acionistas, mas também a preocupação da sociedade. Isso está claro na Europa, onde se busca responder aos tópicos financeiros que impactam o valor da empresa, bem como o impacto da empresa na sociedade e no meio ambiente.   

Nesse contexto, Borgerth explica que o ISSB, ao ser criado dentro da IFRS Foundation, estabeleceu uma equipe dedicada à sustentabilidade. O objetivo não é criar normas contábeis de débito e crédito, mas sim normas de divulgação de informações sustentáveis. Isso não é uma desculpa para ocultar informações, porque essas informações têm valor e são importantes para o mercado. A forma como essas informações serão apresentadas, seja em um relatório anual, em um site ou em um relatório próprio, cabe ao regulador de cada país decidir. 

É importante lembrar que há uma diferença entre ESG e sustentabilidade, pois não são a mesma coisa. Sustentabilidade é um conceito contábil que envolve a capacidade de gerar retorno no futuro. No entanto, essa sustentabilidade não pode se limitar apenas a aspectos financeiros. A verdadeira sustentabilidade é alcançada quando se consideram os fatores associados ao ESG (ambiental, social e governança).  

O palestrante do painel, Sandro Damásio, que é gerente de sustentabilidade da Eletrobras, traz a discussão para a prática e destaca a importância de uma empresa contar a sua história. Ele menciona que o relato integrado é uma ferramenta essencial para compartilhar essa história e apresentar a versão da empresa, que abrange desde a estratégia até a operação e entrega. No relatório, busca-se adotar os padrões internacionais para transmitir a história para todos os stakeholders, não apenas os investidores, mas também aqueles que são impactados pelo negócio ou que impactam o negócio, como a comunidade em que a empresa está inserida. 

Damásio exemplifica como uma empresa de infraestrutura em energia, como a Eletrobras, tem impacto na comunidade. Por exemplo, ao construir uma usina, há impactos na água, na biodiversidade local, e é preciso considerar tanto os aspectos positivos quanto os negativos. Ele ressalta que toda ação humana gera impacto, mas o objetivo é reduzir os impactos negativos, potencializar os impactos positivos e buscar mitigar os impactos negativos. No relatório, é justamente isso que se procura abordar: os impactos, além dos resultados financeiros.    

Confira a palestra na íntegra: 

Estevan Pereira, owner do Grupo Report, Vania Borgerth, board member, e Sandro Damásio, gerente de sustentabilidade da Eletrobras

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