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Parentalidade ativa e equidade de gênero ganham espaço como estratégia empresarial 

A pauta da parentalidade ativa e da equidade de gênero tem ganhado um novo significado dentro das empresas, deixando de ser tratada apenas como uma agenda social para se consolidar como um fator diretamente ligado à sustentabilidade dos negócios, à saúde mental das equipes e à produtividade organizacional. Essa é a avaliação de Leandro Crespo, pai do Vini e fundador da 4D Consultoria, que há mais de dez anos atua na implementação de soluções voltadas à diversidade, equidade e inclusão no ambiente corporativo. 

Segundo Crespo, há atualmente três frentes fundamentais para fortalecer iniciativas de parentalidade e equidade de gênero dentro das organizações. A primeira está relacionada ao benchmarking. Para ele, as empresas não precisam criar soluções do zero, já que o mercado de diversidade, equidade e inclusão amadureceu de forma consistente, com inúmeras organizações dispostas a compartilhar experiências, aprendizados e boas práticas. O acesso a cases bem-sucedidos permite que outras empresas se inspirem, adaptem estratégias e avancem com mais segurança. 

A segunda frente envolve a escuta ativa dos profissionais. Crespo observa que muitas empresas oferecem benefícios bem-intencionados, como auxílio-creche, mas que nem sempre atendem às reais necessidades dos colaboradores. Em alguns casos, alternativas como flexibilização de jornada, apoio para cuidados com babás ou outras soluções seriam mais eficazes. As organizações que obtêm melhores resultados em políticas de equidade e parentalidade são, segundo ele, aquelas que constroem essas políticas em conjunto com o público interno. Além de gerar maior aderência, esse modelo tende a ser mais eficiente e menos oneroso. 

A terceira frente diz respeito ao envolvimento direto da alta gestão. Para Crespo, transformações culturais só se tornam profundas quando contam com o engajamento real de quem ocupa posições de decisão. Sem legitimidade e compromisso da liderança, as mudanças acabam sendo superficiais. É justamente nesse ponto que costuma surgir o maior desafio: como sensibilizar e mobilizar os decisores. Ao longo de uma década à frente da 4D Consultoria, Crespo afirma ter desenvolvido metodologias que vão desde mentorias individuais e coletivas, passando por processos de letramento e conscientização, até intervenções mais aprofundadas sobre vieses inconscientes, bloqueios socioemocionais, economia comportamental e comunicação inclusiva. 

Na prática cotidiana das empresas, Crespo destaca que iniciativas de diversidade e inclusão só promovem mudanças reais quando deixam de concentrar a responsabilidade exclusivamente sobre grupos minorizados. Para ele, não há transformação cultural efetiva sem a participação ativa dos grupos majoritários, homens, pessoas brancas, heterossexuais e sem deficiência, que ainda ocupam a maioria das posições de poder e decisão. Quando esse público é incluído na conversa de forma empática, sem julgamentos, o impacto é significativamente maior. 

Entre as ações que apresentam resultados mais concretos estão os chamados espaços seguros de letramento, criados especificamente para esse grupo majoritário. Crespo cita experiências desenvolvidas em grandes empresas, como a Tetra Pak, onde foram realizadas rodas de conversa com grupos de homens ao longo de um ano, em um processo de cocriação de temas e conteúdos. O resultado foi a desconstrução de estereótipos de forma respeitosa, promovendo aprendizado e mudanças comportamentais reais. Outro exemplo mencionado é o trabalho realizado na Globo, com profissionais da área de operações, abordando temas como saúde, paternidade, trabalho, machismo, relações e comunicação, preparando essas lideranças para um ambiente corporativo mais diverso e inclusivo. Essas iniciativas, segundo ele, geram um forte sentimento de pertencimento e impactos tangíveis na cultura organizacional. 

Ao tratar especificamente da parentalidade ativa em um contexto no qual muitas empresas revisam investimentos em diversidade, equidade e inclusão, Crespo é categórico ao afirmar que esse não é um tema secundário. Para ele, parentalidade ativa e economia do cuidado estão diretamente ligadas à saúde mental das equipes e à sustentabilidade dos negócios. Atualmente, observa-se um cenário em que muitas equipes operam sob pressão extrema, focadas exclusivamente em metas e resultados financeiros, ignorando os riscos crescentes de burnout. 

Programas estruturados de parentalidade cuidadora, segundo Crespo, contribuem para o desenvolvimento de habilidades de autocuidado entre pais, mães e cuidadores, impactando positivamente não apenas o bem-estar, mas também a produtividade e a evolução de carreira. Para ele, o cuidado deve ser entendido como a base da produtividade. 

Além da dimensão humana, Crespo destaca que há dados claros que sustentam o investimento em equidade de gênero, mesmo em períodos de restrição orçamentária. Estudos indicam que empresas com maiores índices de igualdade de gênero alcançam resultados significativamente superiores em lucratividade. Dessa forma, investir em diversidade e equidade não é apenas uma escolha ética, mas uma estratégia que favorece retenção de talentos, inovação e retorno financeiro positivo no médio e longo prazo. 

Leandro Crespo, pai do Vini e fundador da 4D Consultoria

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