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Cultura corporativa como pilar estratégico na transição energética

O setor elétrico brasileiro vive um momento de profunda transformação. Em um ecossistema caracterizado por ativos de longo prazo, regulação rigorosa e desafios da transição energética, a discussão sobre competitividade muitas vezes se concentra nos aportes de capital, na infraestrutura física e nas inovações tecnológicas.  
 
Contudo, a verdadeira sustentabilidade das organizações não depende apenas da robustez técnica das suas redes, mas também da consistência das atitudes diárias das pessoas que operam esses sistemas. É nesse ponto que a cultura corporativa deixa de ser um conceito abstrato e assume um papel estratégico para o negócio. 

Garantir a transmissão de energia para milhões de brasileiros exige mais do que conformidade regulatória; exige previsibilidade, ética, confiança e um compromisso inegociável com a vida. Em empresas de infraestrutura crítica, a cultura oferece referências nos momentos de incerteza, estabelece os limites do que é aceitável e influencia a forma como a empresa responde às novas exigências do mercado e às demandas da sociedade. 

Diante desse cenário, atualizar a cultura passa a ser fundamental para acompanhar a evolução do negócio e sustentar suas ambições de longo prazo. Na TAESA, um dos maiores grupos privados de transmissão de energia do país, presente em 18 estados e no Distrito Federal, por meio de 44 concessões e com cerca de 920 colaboradores, vivenciamos de forma prática a necessidade de alinhar nossa identidade cultural ao futuro que queremos construir. 

A primeira premissa para que uma cultura seja viva e legítima é entender que ela não pode ser decretada de cima para baixo, em uma sala fechada. Sob a condução da Gerência Executiva de Gente e Comunicação, em parceria com a consultoria Thutor, estruturamos uma jornada de atualização cultural fundamentada na escuta ativa e na participação direta.  
 
O processo contou com uma pesquisa online respondida por 222 pessoas, além de entrevistas, grupos focais e dez workshops. Ao todo, 53% da Companhia participou ativamente do projeto, envolvendo lideranças, equipes administrativas e profissionais das regionais, obras e subestações, independentemente do nível hierárquico. O próprio nome da iniciativa, “A TAESA somos nós”, foi sugerido por um colaborador e escolhido por votação aberta, traduzindo a essência de uma construção coletiva. 

Esse movimento também aproximou ainda mais nossa identidade cultural da Estratégia 2035 da TAESA, que reconhece pessoas e cultura como bases fundamentais para transformar objetivos em resultados e apoiar a trajetória da Companhia com eficiência, disciplina e responsabilidade. Por meio do pilar de Pessoas e Cultura da nossa estratégia, buscamos promover uma cultura de resultados, proatividade, integridade e inclusão em nosso jeito de agir. 

Como resultado desse trabalho de diagnóstico e escuta, revisitamos nossos fundamentos e consolidamos quatro valores: 

  • Segurança em primeiro lugar. 
  • Promovemos a excelência. 
  • Construímos relações de confiança. 
  • Cuidamos genuinamente das pessoas. 

Entre esses avanços, um merece destaque: Segurança em primeiro lugar passou a ser formalmente reconhecida como valor. A segurança sempre ocupou uma posição central na TAESA, e sua incorporação explícita reforça a prioridade absoluta dada à proteção da vida e à integridade dos nossos ativos em toda a nossa atuação. 

Para que esses valores ganhem forma no cotidiano, também definimos os comportamentos desejados e os não tolerados associados a cada um deles. Afinal, conhecer um princípio é importante, mas compreender como ele se manifesta na prática é o que realmente dá consistência à cultura. 

A sustentação cultural também demanda lideranças coerentes e focadas no exemplo. Estruturado em seis pilares fundamentais (atingir resultados, gerir pessoas e time, interagir e construir redes, buscar a excelência, tomar decisões e assumir riscos, e garantir o futuro), o perfil de liderança na TAESA orienta a gestão para o fortalecimento de vínculos, a comunicação clara e o atingimento de metas com visão estratégica. 

Ao longo da nossa trajetória, a missão e a visão ajudaram a organizar prioridades e direcionar nossa atuação. Com o amadurecimento da TAESA e do próprio setor, entendemos que era o momento de integrar essa orientação em uma mensagem única, mais clara e conectada ao valor que geramos, o que culminou na definição do nosso propósito: 

“Transmitimos energia com eficiência e qualidade, garantindo segurança e confiança em cada relação, impulsionando o desenvolvimento sustentável para as pessoas e o planeta”.  

O propósito expressa, em essência, a razão da nossa existência e o impacto que buscamos gerar para a sociedade. 

Para os líderes e executivos do setor, fica uma reflexão: até que ponto a cultura da sua organização está preparada para sustentar as transformações e as ambições estratégicas das próximas décadas?  

Investir no fortalecimento cultural não é uma agenda acessória de recursos humanos; é uma decisão estratégica e de governança, diretamente ligada à longevidade do negócio, à capacidade de adaptação e à geração de valor consistente.  

Na TAESA, compreendemos de forma convicta que a nossa energia nasce das pessoas. Revisitar nossa cultura não significa romper com a história, mas preservar o que nos define, tornar nossas prioridades mais claras e nos preparar para o que está por vir. Por meio de atitudes diárias, na coerência entre o que dizemos e fazemos e na forma como nos relacionamos é que construímos uma empresa sólida, humana e pronta para o futuro. 

Artigo escrito por Cintia Michelon, gerente executiva de gente e comunicação da TAESA 

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