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Descentralização de recursos deve ser uma prática ESG prioritária para inclusão social 

O investimento social privado precisa sair das capitais e chegar ao interior do Brasil, gerando oportunidades e desenvolvimento socioeconômico real para as comunidades 

A redução das desigualdades sociais exige um forte comprometimento das corporações em suas metas e práticas ESG, da mesma forma como o setor privado tem se engajado nas causas ambientais e no enfrentamento às mudanças climáticas. O “S” de social da sigla ESG tem rostos, histórias, territórios, urgências, demandas e potências que refletem em comunidades, muitas vezes, à margem dos investimentos corporativos. O setor privado pode ser o canal para levar os recursos, ainda concentrados em projetos nas grandes capitais, mais longe e para uma diversidade maior de pessoas. Mas, para isso, o primeiro passo é compreender como usar o potencial das empresas na distribuição dos investimentos – próprios e incentivados. Esse movimento é crucial no combate às desigualdades sociais e um indicador preciso de práticas ESG efetivamente relevantes. 

Quando uma iniciativa ESG foca apenas nos grandes centros urbanos, é preciso expandir o alcance, pois o impacto social deve chegar também às comunidades historicamente menos assistidas. É papel do capital privado colaborar para o aumento da inclusão social e para a promoção de transformações reais na sociedade. As empresas devem utilizar sua presença em diferentes regiões brasileiras e sua capilaridade como um meio impulsionador. O setor privado pode ser elo ao direcionar investimentos e viabilizar parcerias. 

Um exemplo é a parceria firmada recentemente pela Neoenergia e o Ministério da Cultura para investir R$ 6 milhões em projetos culturais de cidades de pequeno porte e de periferias na Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, São Paulo e Distrito Federal. O programa, chamado de Rouanet no Interior, democratiza o acesso ao financiamento e fortalece as identidades locais, um pilar que já era prioritário para a Neoenergia. Em 2025, 81% das ações do Instituto Neoenergia foram realizadas fora das capitais, contemplando 253 localidades. 

Outra atitude importante que as empresas podem fazer para fomentar a diversidade e ações afirmativas é priorizar grupos minorizados. O investimento privado não precisa ser neutro, pelo contrário, ele pode ativamente buscar a equidade. Ao estabelecer editais com pontuações extras para projetos com equipes formadas, em sua maioria, por mulheres, pessoas negras, indígenas, pessoas com deficiência ou público LGBTQIA+, por exemplo, os recursos têm mais chances de ampliar seu alcance e incentivar a diversidade de projetos. Estimular aqueles que estão apresentando um projeto pela primeira vez também é fundamental para quebrar barreiras de entrada. 

Uma boa prática ESG, no entanto, pode e deve ir além da descentralização de recursos e do fomento à diversidade. Para causar um impacto social efetivo, o setor privado pode contribuir ainda com mentorias e capacitações de lideranças e organizações sociais. É uma atitude de responsabilidade e comprometimento com os territórios. Não basta patrocinar ações isoladas, é preciso empoderar os líderes e contribuir para que os projetos transformem as comunidades nas quais estão inseridos. Além dos aportes financeiros, as ações de qualificação e formação ajudam os responsáveis pelos projetos a enxergar e planejar a continuidade das iniciativas no futuro, movimentando um ciclo virtuoso tanto na redução das desigualdades sociais quanto no estímulo à economia dessas regiões. 

Dessa forma, as empresas maduras em ESG têm sido capazes de alavancar políticas públicas, como as leis de incentivo, a fim de multiplicar seu impacto na sociedade. Por meio de 12 leis de incentivo federais e estaduais, o Instituto Neoenergia destinou R$ 27,6 milhões para projetos sociais no ano passado, valor 46% maior do que o repasse realizado no ano anterior. No total, o Instituto investiu R$ 32,5 milhões em 2025 não apenas para patrocinar iniciativas, mas para apoiar ativamente projetos de impacto social que beneficiaram mais de 3 milhões de pessoas. Esse modelo ilustra como o capital privado pode andar lado a lado com políticas públicas para transformar realidades. 

O sucesso do “S” no ESG é indissociável da profundidade territorial. Além de foco no território, as boas práticas de ESG no pilar social exigem valorização da diversidade e parcerias consistentes. O futuro do investimento social privado no Brasil está na compreensão das comunidades onde as empresas já operam e no seu compromisso com os lugares que estão distantes dos centros de decisão. Isso significa promover um desenvolvimento socioeconômico perene, respeitando as identidades locais e colaborando para que a redução das desigualdades e a transformação social sejam, acima de tudo, potentes, sólidas e duradouras. 

Artigo escrito por Eduardo Capelastegui, que é CEO da Neoenergia 

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