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A sociedade está pronta para o metaverso?

A tecnologia afeta a forma como as pessoas percebem a realidade, conceito de universo virtual deve influenciar no futuro da convivência humana

Metaverso. Desde que o empresário dono da Meta, Mark Zuckerberg, trouxe o conceito à pauta, não se fala em outra coisa. Criado em 1992 por Neal Stephenson no livro de ficção SnowCrash, se refere ao universo virtual onde se dá a expansão do mundo físico para o digital. O seu principal objetivo, segundo Paulo de Tarso, CEO da Communiplex, é mudar a forma de interação entre as pessoas. A ideia é que seja imersiva, mais rica, mais visual e mais próxima.

Atualmente, mesmo com o uso da videoconferência, a interação humana ainda tem uma certa distância e uma barreira, a tela retangular. As pessoas se comunicam em um espaço virtual, mas não interagem entre si, cada uma está no seu ambiente.

A tecnologia está mudando isso. Com o metaverso, o que vai acontecer na prática é o avanço para um mundo 3D. As pessoas passarão a se sentir dentro do ambiente e da ação. Haverá uma sensação de proximidade física. Será como se de fato tivessem sido transportadas para um outro local onde estão as demais pessoas. O conceito “estar junto” atingirá um novo patamar.

O “estar junto”, dentro do protótipo de metaverso mais conhecido, implica em uma existência alternativa, chamada de Second Life. Ou seja, as pessoas estarão em um ambiente compartilhado em 3D e irão interagir por meio de avatares com todos os elementos de uma vida real, como trabalho, lazer, comércio, amizade e amor.

Estima-se que até 2026 dois bilhões de pessoas estarão inseridas no metaverso, passando pelo menos uma hora por dia no universo virtual on-line. Para Tarso, essa estimativa provavelmente se refere às horas de lazer e socialização. “Mas é provável que as horas de trabalho dentro desse universo sejam adicionadas a essas mais para frente. Eventualmente, vai chegar um momento em que as pessoas irão passar mais tempo dentro do metaverso”, alerta.

O que se espera é que o trabalho remoto e o convívio em grupo ganhem maior flexibilidade e interação com uma vantagem: ir além do círculo físico e geográfico próximo, estendendo o alcance em caráter global, sem distâncias. Além disso, a tecnologia de metaverso terá grande impacto em todas as áreas de atividades. Alguns exemplos, na percepção de Tarso, são:

  • Pessoas que residem em cidades ou países distantes dos polos de trabalho poderão ter acesso a oportunidades com muito maior competitividade;
  • Grupos multinacionais de pessoas poderão interagir de forma mais rica e próxima;
  • Empresas não precisarão investir em espaços físicos reais, mas sim construir espaços virtuais flexíveis, ajustáveis e expansíveis com muito maior velocidade;
  • A área educacional poderá enriquecer de forma extraordinária a interação com os conteúdos – imagine uma aula sobre artes onde os alunos são imediatamente “transportados” para o museu do Louvre virtual e presencial;
  • O comércio abrirá um novo mundo, com o uso das moedas digitais dentro do ambiente;
  • No lazer, teremos as oportunidades de viagens virtuais para locais totalmente sintéticos (criados para o metaverso) ou aqueles que são réplicas virtuais do mundo real;
  • O próprio metaverso irá criar uma enorme lista de novas carreiras ligadas à sua gestão, produção, programação e expansão.

Os possíveis benefícios para as empresas e para os profissionais são muitos e vão além do que está ao alcance hoje no “realverso”, mas tudo dependerá da tecnologia e da qualidade do metaverso. A grande questão é que ele tem 50% de chance de se tornar a nova etapa da internet nos próximos anos e 50% de não atender às expectativas e se tornar um grande desapontamento, como uma moda passageira.

Todavia, não podemos esquecer dos problemas que o metaverso pode trazer. Para começar, com o distanciamento social, forçado durante a pandemia, aos poucos as pessoas foram se sentindo mais sozinhas e distantes. O senso de pertencimento a uma comunidade (seja de amigos ou de uma empresa) foi se apagando. “O que foi tolerável durante um período, mas poderá se tornar um problema sério. Seres humanos são socializáveis por natureza”, explica Tarso.

Existe ainda a preocupação com o caráter de jogo interativo que o metaverso trará. Certos especialistas já se preocupam com os problemas observados em “gamers“, como o vício, o distanciamento da realidade até a completa alienação, bem como o descontrole financeiro e o relaxamento com a saúde física e mental. De alguma forma, será necessário investir em educação do usuário e controles de uso.

O metaverso, nas plataformas já existentes, carregou consigo problemas sociais do mundo real: a formação de grupos com objetivos criminais, o assédio, o “bullying” e os golpes, por exemplo. O uso de avatares permite esconder a identidade real do usuário, com consequências variadas. Também, como já ocorre nas redes sociais atuais, haverá a questão da dupla personalidade, a real e a virtual – desta vez com o acréscimo da imersão 3D. “Os usuários deverão sempre estar atentos e atualizados sobre os riscos e problemas inerentes à nova tecnologia”, finaliza Tarso.

Paulo de Tarso, CEO da Communiplex