Novidades
Previous
Next

“Tecnicamente, Brasil cresce 1,2% ao ano há quatro décadas”  

A economia brasileira e o futuro dela sempre é motivo de grandes preocupações aos empresários. Em 2022, depois de todos os últimos acontecimentos que impactaram não só o país como o mundo todo, muitas foram as análises sobre o cenário econômico. Em termos de PIB, na avaliação de Vandyck Silveira, CEO da Trevisan Business School, que palestrou no Congresso ANEFAC 2022 em painel que discutiu as questões econômicos e políticas, o Brasil no ano passado cresceu pouco mais de 4%, com uma queda de 4%. “Algumas pessoas no mercado chegaram a dizer que esse cenário zerou a conta, mas não porque teríamos que ter tido crescido 8%. Há quatro décadas o país apresenta um modesto ritmo de crescimento anual de 1,2%, na média. A última vez que cresceu de maneira pujante foi em 2010, 7%”. 

Com dados de um outro estudo, o especialista comparou os últimos 40 anos, desde 1980, a relação do Brasil com o resto do mundo: na década de 80 para 90, o país cresceu menos do que 73%. Já de 90 a 2000 mais ou menos 70%, sendo que na década de 2000, com todo o impacto trazido pelo Plano Real, ajuste da inflação e outras coisas, o país deveria ter apresentado números melhores, e, por fim, a grande surpresa foi na década de 2010, quando 90% do mundo cresceu mais.  

Para se ter uma ideia, segundo ele, para que o país possa assimilar a força de trabalho, os novos entrantes na força de trabalho, os jovens, o Brasil precisa crescer algo em torno de 3%. Trazendo um estudo com 193 países na década de 2010 a 2020, ele aponta que o Brasil está na 165ª posição dos países que cresceram uma média de 1,8%. “Vamos falar de novo, de década perdida, o que já ocorreu nos anos 80, e infelizmente, a gente não conseguiu superar”.  

De acordo com Silveira, a questão importante é o seguinte o Brasil cresceu muito menos nas décadas passadas do que países emergentes, do que os Brics e a América Latina. De maneira geral, ele avalia que se cresceu consideravelmente menos do que o mundo: em economia existe um modelo de crescimento que preconiza, que países subdesenvolvidos vão crescer a taxas mais rápidas do que os desenvolvidos e que vai haver uma sincronia de crescimento no longo prazo. 

A questão, para ele, é que o Brasil é um dos poucos países do mundo que mostra que isso realmente não aconteceu. A teoria não está errada existem exemplos que mostram isso, a Ásia, a Irlanda. Ela funciona, mas tem que vir agregada de elementos institucionais, políticos, de escolhas certas e outras. A economia sozinha não faz isso. Ela depende do povo. “Com a média de crescimento do PIB do Brasil de 1,2% durante 40 anos, não é à toa que temos sistematicamente desemprego, falta de crescimento e dificuldade para brincar no parquinho com as outras crianças. Porque o gasto, principalmente o corrente do brasileiro, é excepcional e isso faz com que o país não caiba mais dentro do bolso do brasileiro. Enquanto a gente não endereçar a questão fiscal, não existe nenhuma conversa a ser feita”, reflete. Abaixo o especialista lista outros pontos. 

PIB per capita 

É uma crônica de uma morte anunciada. Uma das coisas mais tristes, que acontece no Brasil, é o PIB per capita. Não estou nem um pouco interessado sobre PIB agregado. É muito legal um país do tamanho do nosso, mas o que conta no final do dia é o PIP per capita. No Brasil, houve um apogeu na década de 70 e depois uma tristeza atrás da outra. Desde 2010, o crescimento foi muito pífio. Se pegar a média de todos esses anos de crescimento do PIB per capita brasileiro, descontando a inflação, não sobra dinheiro nominalmente.  

Massa salarial 

Desde 2012, temos a mesma massa salarial, que é o valor que você leva para casa derivado do salário. Não é sobre investimentos, mas de trabalhadores, o rendimento médio do salário do brasileiro é abaixo dos R$ 2.500.  

Inflação 

A inflação de 2021 já chegou a dois dígitos. A gasolina é realmente um grande vilão. A meta central era de 3,5% e o país não chegou nem perto da margem superior de 5%. Quer dizer, tem algo muito errado no Brasil. A inflação é um fenômeno monetário, não existe o que se chama de inflação de demanda. Com a taxa de juros (Selic) a 2% ao ano, que foi um erro absurdo do Banco Central, o país não tinha condições econômicas, principalmente fiscais, para ter uma taxa dessas, principalmente num ambiente onde a inflação já estava voltando. O período foi muito longo no Brasil de taxa de juro real negativa. A taxa de inflação do acumulado em 12 meses chegou aos 12%. Existe uma competição entre o Bolsonaro e a Dilma para ver quem vai chegar aos 14%.  

PIB 2022 

A expectativa é um PIB que vai ficar no zero por cento. Se tudo correr bem. Dependendo da maneira com que a taxa de juros bater na economia real, o segundo semestre pode ser ruim. O dólar caiu, mas não se sabe o porquê. O Brasil teve três eventos importantes que aconteceram e nenhum deles, tiveram a intencionalidade por parte das instituições, do governo ou de qualquer outra parte. Primeiro, o país foi forçado a aumentar a taxa de juro e hoje é a maior do mundo. O juro real é de mais ou menos meio por cento e isso significa que é único país no mundo com juro real positivo. Segundo, os preços das commodities. O governo não interfere neles. Agora, há um aumento e o país se beneficia, mas pode não se beneficiar quando os preços caírem. Terceiro, a situação e a guerra na Ucrânia. A Rússia compõe os Brics e recebia grande parte dos investimentos em portfólio de investimento direto, normalmente, incluindo aí estruturas, investimentos, portfólios, com o conflito ficou alijada do mundo por parte dos investimentos e alguns dos dólares que eram destinados a ela, vieram ao Brasil.  

No panorama internacional, o PIB americano, em função das expectativas de aumento da inflação, junto ao aumento de taxas de juros, não deve ser bom. Por lá, deve haver até final do ano dois ou três aumentos da taxa de juros impactando sensitivamente a economia e o Brasil. Assim como a inflação crescente na Europa.   

VanDyck Silveira, CEO da Trevisan Business School
VanDyck Silveira, CEO da Trevisan Business School

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.