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Colaboração entre as áreas de negócio, benchmarking e transparência tributária ajudam na clareza das demonstrações financeiras  

A transparência como teoria do disclosure originou-se entre as décadas de 80 e 90 com os trabalhos acadêmicos publicados por Robert Verrechia e outros autores. Ao analisar os principais artigos sobre o assunto, Verônica Santana, professora na Fecap e palestrante no 2° Circuito da Transparência 2022 – Relevância e clareza nas DFs, explica que a ideia inicial das análises era entender como o mercado reconhecia a empresa que divulgava as suas informações e alinhar os custos com as expectativas, pois o investidor do lado de fora não sabia o que estava acontecendo do lado de dentro.  

Neste caso, ela conta, que o investidor depende das informações enviadas pela empresa para tomar uma decisão. Muitas foram as análises até chegar ao conceito de divulgação existente hoje. Passando pela forma como o disclosure impacta a qualidade da informação, como ajuda a levantar capital, e a quantidade (maior disclosure maior liquidez das ações), qualidade (maior disclosure menor custo de dívida e menores juros). “Quanto mais transparente, mais valiosa se torna a ação daquela empresa”, relata. 

Trazendo uma visão mais prática, outro palestrante no evento, Cleber Lima, consultor de consolidação e reporte financeiro na EDP, que ganhou nove vezes o Troféu Transparência, explica que o time de reporte da empresa é composto por sete pessoas. Só no exercício de 2021 foram elaboradas 26 demonstrações financeiras e 12 demonstrações contábeis regulatórias. 

Entre as preocupações da EDP para trazer mais clareza às demonstrações financeiras, está a busca pelo envolvimento de todas as áreas de negócios no fechamento. Para isso, são realizadas reuniões de pré e pós, onde são discutidos os temas que impactam o negócio, e feito o alinhamento com a auditoria externa sobre os temas do trimestre antecipando as notas explicativas, o que ajuda a trazer qualidade às informações.  

Na empresa há um processo de revisão das demonstrações financeiras. Lima cita alguns pontos importantes relativos ao fechamento visando a qualidade e o grau nas informações contidas, como a sinergia com as áreas de negócios, que estão preocupadas com a divulgação, quando estão discutindo uma operação já procuram avaliar o impacto para tentar trazer mais clareza na nota explicativa; e o benchmarking com players do mercado que foram destaques, como por exemplo, as ganhadoras do Troféu Transparência, para avaliar se as informações estão em linha.  

Além disso, ele conta que o com o objetivo de trazer notas explicativas mais claras e objetivas aos investidores, a EDP criou um fluxo de revisão. O analista acompanha do início ao fim, há revisões dos contadores internos, análise da auditoria externa, do diretor e do vice-presidente financeiro para garantir uma qualidade que vai para o mercado.  

“Já com relação a clareza do Relatório da Administração trabalhamos com a área que o elabora, fazemos reuniões trimestrais para ir passando os principais pontos e assim enviar as notas explicativas com tempo. Isso ajuda eles a captarem as informações que vão para o mercado. Do outro lado, nós recebemos com antecedência o documento para também avaliar e fazer o cruzamento das informações”, ressalta Lima.  

Do lado da clareza das informações tributárias nas demonstrações financeiras, Marcello Veiga, head de tax na Zurich Seguros e palestrante no evento, entende que no Brasil, que possui um ambiente fiscal complexo, é extremamente importante que a informação seja clara, limpa, objetiva e transparente para o mercado, e que os investidores tenham essas informações para a sua toma de decisão.  

Na Zurich Seguros, ele conta que existe independência da área tributária, inclusive com reporte para o CFO e canal direto com a auditoria externa, que passou a ser parceira e aliada do negócio seja na transparência do que está se divulgando até o fechamento de um negócio importante.   

Como a empresa atua em um mercado onde solidez, liquidez e transparência são fundamentais, a clareza sobre as suas operações traz credibilidade em termos de caixa. Tudo isso se traduz para a área fiscal, de acordo com Veiga, a preocupação está em mostrar esse resguardo com relação aos passivos fiscais. “Somos transparentes nos processos e notas explicativas sobre qualquer que seja a ação judicial transitada e julgada. Demonstramos o rito processual, como por exemplo, no caso de PIS e COFINS, que podem impactar significativamente o caixa a depender do resultado”, ressalta.  

Na equipe de Veiga existem os profissionais que se dedicam ao disclosure das notas explicativas referente aos impactos fiscais dentro das demonstrações financeiras. Ele pondera que o que faz diferença mesmo é a sinergia com a auditoria externa e o alinhamento com os envolvidos, inclusive com a área de relação com os investidores, porque não é somente elaborar o balanço é tratar e divulgar a informação junto aos investidores.  

Para o futuro, Carlos Aragaki, presidente regional São Paulo da ANEFAC, sócio na BDO e mediador do evento, no que tange também a clareza, seria bom pensar em elaborar e divulgar a demonstração financeira pensando na ordem estratégica para cada empresa e não como é feito hoje em dia seguindo o mesmo formato que todas as demais.   

Confira o conteúdo na íntegra:  

Cleber Lima, consultor na EDP
Marcello Veiga, Head de Tax na Zurich Seguros
Verônica Santana, professora na FECAP

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