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ChatGPT: o necessário é entender o papel do pensamento crítico e associativo 

À medida que a inteligência artificial (IA) continua avançando, muitas tecnologias vêm se tornando mais difundidas do que outras. Uma delas, que tem chamado a atenção das pessoas ao redor do globo, é o ChatGPT. Muitas empresas inclusive têm buscado maneiras de integrar a IA em seus produtos e serviços transformando a maneira como vivemos, trabalhamos e investimos.  

Como qualquer inovação tecnológica, é preciso ter cuidado e observar sua trajetória de crescimento e amadurecimento, evitando os excessos de vantagens e desvantagens que normalmente são atribuídos a uma nova tecnologia. Com o ChatGPT não é diferente, assim o primeiro passo é entender o que significa esta tecnologia chamada GPT, “Generative Pre-Trained Transformer”. De uma forma bem didática, o GPT é uma espécie de chatbot, que pode receber conhecimento de todos os lados, ou seja, atuando como usuário e como um assistente de IA.  

Segundo Giovana Vieira dos Santos, diretora de negócios da Evolue Business e professora, a grande diferença entre o GPT e os demais chatbot é a sua imensa capacidade de armazenagem de dados e informações, pois, com ele, é possível guardar conversas inteiras, além de livros, revistas e pesquisas inteiras da internet. “Esta tecnologia pode trazer cenários novos para áreas como: trabalhos acadêmicos, criação de estratégias de vendas, explicar conceitos, exercícios lógicos entre outras facilidades. Apesar desta tecnologia poder fornecer rapidamente as informações, vamos continuar precisando, talvez como nunca antes na história, da capacidade de interpretação e da inteligência humana, seja para analisar as informações, seja para ensinar o GPT”, explica. 

Ao olhar para a curva de avanços tecnológicos e do crescimento do mercado digital, muitas vezes existe uma tendência natural que é a de penalizar e afirmar que estas inovações estão criando ambientes mais adversos e difíceis. Do outro lado, é importante também fazer uma análise mais detalhada e entender quais são as situações favoráveis, que para Vieira, podem ser a democratização e a desmonetização de muitos produtos e serviços, o que naturalmente gera inclusão. Pensando na tecnologia ChatGPT, ela acredita que pode trazer dinamismo, rapidez e acessibilidade da informação para uma parte considerável da sociedade, já com relação aos impactos podem ocorrer na educação, na sociedade, na política ou na economia e vão estar relacionados com a intenção das pessoas. “Defendo o uso da inteligência artificial na vida das pessoas, nas famílias, nas empresas e na sociedade, o que precisamos é trabalhar para diminuir os efeitos negativos que ela pode causar”, pondera. 

Neste contexto, é necessário entender que o comportamento humano ainda é muito complexo, sendo um conjunto de experiências do passado e expectativas futuras, somos compostos por sentimentos, emoções e impactados por lugares, pessoas e situações. Para a especialista, a tecnologia ChatGPT não tem a capacidade de gerar a padronização do comportamento humano, obviamente como qualquer tecnologia persuasiva, existe a possibilidade da influência positiva ou negativa, o que pode sim causar uma mudança no comportamento de alguns indivíduos, assim é preciso administrar e trabalhar para diminuir os impactos negativos. Não se pode esquecer que hoje esta situação já acontece quando se analisa as fotos tiradas com filtros, nas realidades bonitas encontradas nas redes sociais, no aumento de casos de depressão entre jovens e tantos outros. 

Ao definir a capacidade de inovação, Vieira utiliza a seguinte definição: “Inovação é a capacidade de gerar ideias que são transformadas em produtos e serviços que irão gerar rendas”. Diante desta definição, ela pontua que o pensamento associativo é uma das principais características do DNA do empreendedor e do processo de inovação, pois na medida em que, a capacidade de fazer conexões entre fatos, tendências ou realidades permite observar oportunidades muitas vezes exponenciais, também possibilita desenvolver ideias capazes de trazer soluções aos problemas dos clientes, das empresas e da sociedade.  

Já o pensamento associativo ou a capacidade de inovação de um país ou de uma empresa, de acordo com Vieira está diretamente atrelado ao nível do capital humano que a sociedade é capaz de oferecer. “Sendo que se entende por capital humano o conjunto de competências, habilidades e conhecimento que uma pessoa possui. Neste sentido, a tecnologia ChatGPT pode colaborar positivamente para a busca do conhecimento de uma maneira mais simples e rápida”, avalia. 

Quando se entende que o pensamento crítico do ser humano é a capacidade de analisar de forma clara e objetiva as informações, os dados são apresentados em uma determinada situação ou realidade. Assim, a professora complementa que a tecnologia GPT deve ser utilizada como mais uma fonte de informação e de pesquisa e não como o caminho para todas as respostas. Ela cita que já estamos vivendo este desafio há alguns anos, na medida em que, para algumas pessoas basta dar um Google e pronto o conhecimento está consolidado. Por isso, é preciso compreender que dados devem ser transformados em informações e analisados por pessoas competentes com pensamento crítico e associativo, já que a inteligência artificial não tem esta capacidade. 

“Um grande amigo meu diz que o conhecimento precisa ser simples, porque a robustez e o excesso de dificuldade podem significar insegurança, tenho pensado muito nesta avaliação e, seguindo esta linha de raciocínio, precisamos ter calma e tranquilidade com o uso da tecnologia ChatGPT, pois ainda temos um largo caminho para percorrer. Quem sabe esta tecnologia possa permitir, com a sua evolução, o acesso simples ao conhecimento verdadeiro. Precisamos aguardar. Necessitamos trabalhar para achar soluções que possam gerar condições de vida melhor para as pessoas e para o mundo, ou seja, concentrar esforços neste sentido”, finaliza Vieira. 

Giovana Vieira dos Santos, diretora de negócios da Evolue Business e professora

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