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Era da longevidade: os desafios das empresas em estabelecer estratégias e políticas para os trabalhadores 50+ 

Na era da longevidade, a reformulação das políticas de emprego e práticas de recrutamento, na visão de Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional da Longevidade Brasil, se apresenta como uma estratégia essencial para incorporar a crescente população de trabalhadores acima dos 50 anos no mercado de trabalho. O aumento da expectativa de vida e a melhoria nas condições de saúde transformam profundamente o conceito de carreira, demandando políticas que valorizem a experiência acumulada e promovam o desenvolvimento contínuo desses profissionais. “É crucial reconhecer a contínua necessidade de aprendizado e adaptação”, reforça. 

Com o constante avanço tecnológico, ele avalia que se torna vital oferecer oportunidades de atualização e aquisição de novas habilidades, permitindo que esses trabalhadores permaneçam competitivos. Exemplificando, ele cita, um mecânico de automóveis de 45 anos, que aprendeu sobre mecânica aos 20, hoje se vê desafiado pelas novas demandas da eletrônica em veículos, evidenciando a importância de políticas de emprego que valorizem a requalificação e o desenvolvimento contínuo. 

Além disso, Kalache pondera que a implementação de práticas laborais flexíveis e benefícios alinhados às necessidades dos trabalhadores mais velhos, incentivando uma transição suave para a aposentadoria e mantendo seu engajamento profissional são importantes. A era de Bismarck, na qual a aposentadoria precoce era comum devido à baixa expectativa de vida, contrasta drasticamente com o presente, onde a longevidade demanda políticas mais adaptativas e inclusivas. 

A integração de trabalhadores mais velhos não só é necessária diante do envelhecimento populacional como também traz benefícios significativos para as empresas, promovendo a harmonia intergeracional e reduzindo o absenteísmo. Esses trabalhadores, valorizando suas posições, tendem a estimular uma cultura de comprometimento e dedicação entre os colegas mais jovens. Contudo, ele alerta que ainda há uma carência de programas específicos de capacitação e desenvolvimento profissional para essa faixa etária. “A resistência a reconhecer o próprio envelhecimento e a valorizar a experiência acumulada revela a necessidade de uma mudança de paradigma. O aprendizado contínuo emerge como um pilar essencial para um envelhecimento ativo, enfatizando a importância de investir na saúde, no conhecimento, na participação social e na segurança dos trabalhadores mais velhos”, explica. 

Para enfrentar os desafios do envelhecimento da força de trabalho, as empresas devem adotar políticas e práticas que comecem desde o recrutamento, promovendo a diversidade etária e reconhecendo o valor único dos trabalhadores mais experientes. De acordo com Kalache, isso é crucial especialmente num contexto em que o Brasil enfrenta desafios educacionais e uma iminente escassez de mão de obra jovem. Ao valorizar e integrar os trabalhadores mais velhos, as empresas não apenas contribuem para o bem-estar social, mas também se posicionam estrategicamente para o futuro. 

Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional
da Longevidade Brasil

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